Violência contra a mulher | Agosto Lilás | Caminhada em Feira de Santana reforça combate à violência contra mulheres e meninas
Quinta edição do movimento reuniu representantes da OAB, poder público e sociedade civil durante o Agosto Lilás, com foco na prevenção da violência e no fortalecimento da rede de proteção
Feira de Santana recebeu mais uma mobilização pelo enfrentamento à violência contra mulheres e meninas. A caminhada, que chegou à quinta edição, integrou as ações do Agosto Lilás, campanha de conscientização e prevenção à violência contra a mulher. Neste ano, a mobilização também ocorre no contexto dos 20 anos da Lei Maria da Penha.
Para a presidente da Comissão em Defesa dos Direitos das Mulheres da OAB Feira de Santana, Esmeralda Halana, a caminhada tem como principal objetivo chamar a atenção da sociedade para as diferentes formas de violência e reforçar a necessidade de prevenção.
Segundo ela, os casos não se limitam à violência física. A violência psicológica, patrimonial, sexual e moral também fazem parte da realidade enfrentada por muitas mulheres. A legislação passou a contemplar ainda a violência vicária, relacionada à utilização dos filhos ou de pessoas próximas para atingir a mulher.
Esmeralda destacou que a violência psicológica merece atenção especial porque muitas vítimas permanecem durante anos em relacionamentos abusivos em razão da dependência emocional e da perda progressiva da autoestima.
“Existem violências além da física”, destacou a presidente da comissão.
A preocupação também se estende às crianças e adolescentes. De acordo com Esmeralda, muitas meninas sofrem abusos dentro do próprio ambiente familiar, praticados por pessoas próximas, como pais, padrastos, avós ou vizinhos.
A representante da OAB defendeu que crianças sejam ouvidas e orientadas desde cedo sobre proteção do próprio corpo e sobre a importância de denunciar situações de abuso.
Rede de proteção
Feira de Santana conta com uma rede integrada de atendimento às mulheres vítimas de violência. Entre os equipamentos e instituições citados estão a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, a Secretaria de Políticas para as Mulheres, o Centro de Referência de Atendimento à Mulher, Ministério Público, Defensoria Pública, OAB e a Casa Abrigo.
A orientação é que a vítima não permaneça em silêncio. O Disque 180 também pode ser utilizado para buscar orientação e denunciar casos de violência.
Representando a Secretaria de Políticas para as Mulheres, Rosilda Josailma Ferreira ressaltou que a violência pode começar de maneira silenciosa, com humilhações, isolamento social, controle da vida profissional e retirada da autonomia da mulher.
Segundo ela, o município possui uma equipe multiprofissional no Centro de Referência de Atendimento à Mulher, com profissionais das áreas de assistência social, psicologia, direito e pedagogia.
A secretaria também pretende ampliar ações voltadas aos homens autores de violência. Uma das iniciativas é o trabalho de reeducação de homens que já possuem medidas protetivas, em parceria com o Tribunal de Justiça da Bahia.
Durante o Agosto Lilás, estão previstas ainda atividades em empresas, escolas, faculdades, comunidades e na zona rural, além de um seminário sobre violência contra a mulher e saúde.
Importunação sexual também preocupa
Outro tema destacado durante a mobilização foi o crescimento das discussões sobre importunação sexual, especialmente após casos registrados em condomínios de Feira de Santana.
Esmeralda explicou que o crime está previsto na legislação brasileira e pode ocorrer mesmo sem contato físico com a vítima, desde que estejam presentes os elementos caracterizadores da conduta criminosa.
A presidente da comissão também esclareceu que a OAB acompanha a discussão sob a perspectiva jurídica, mas não interfere diretamente em processos internos de condomínios privados.
Sociedade civil amplia atuação
A ONG Eu Sou Todas as Mulheres também participou da caminhada. A presidente da entidade, Ana Cláudia Carvalho, destacou que a organização participa da mobilização desde a primeira edição.
Embora atue em parceria com instituições de Feira de Santana, a ONG concentra parte importante de suas ações em São Gonçalo dos Campos, onde desenvolve atividades de enfrentamento à violência contra mulheres e meninas em parceria com as forças de segurança.
Ana Cláudia também chamou atenção para a exposição de crianças e adolescentes aos riscos do ambiente digital. Para ela, o uso de celulares e das redes sociais sem acompanhamento adequado pode aumentar a vulnerabilidade de crianças e adolescentes.
São Gonçalo dos Campos busca ampliar rede
Presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de São Gonçalo dos Campos, Jaciara Conceição participou da caminhada representando o município.
Segundo ela, São Gonçalo possui equipamentos de proteção, mas ainda enfrenta dificuldades para manter uma rede integrada e ativa de atendimento às mulheres.
Jaciara destacou a atuação da sociedade civil, especialmente da ONG Eu Sou Todas as Mulheres, além do apoio das polícias Civil e Militar.
Entre as principais reivindicações está a implantação de um Centro de Referência de Atendimento à Mulher no município. Segundo Jaciara, a estrutura poderia fortalecer o atendimento às vítimas e ampliar a capacidade de prevenção e acompanhamento dos casos.
A participação de representantes de diferentes municípios na caminhada reforça, segundo os organizadores, a necessidade de integrar poder público, instituições e sociedade civil para enfrentar a violência contra mulheres e meninas.
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