El Niño | Estiagem | El Niño aumenta risco de estiagem e preocupa zona rural de Feira de Santana
Especialista alerta para perdas agrícolas, redução da disponibilidade de água e temperaturas elevadas; população pode ajudar com preservação de árvores, lagoas e nascentes
Feira de Santana já sente os efeitos associados ao atual episódio de El Niño, fenômeno caracterizado pelo aquecimento acima da média das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Segundo o especialista João Dias, o cenário pode favorecer uma estiagem prolongada no Nordeste e exige atenção principalmente da população da zona rural.
Joao Dias 📸Onildo Rodrigues
De acordo com Dias, municípios da região já registram perdas ou redução na produção agrícola. Em Feira de Santana, ele cita comunidades e distritos como Poço, Bonfim de Feira e Jaguara, onde produtores teriam enfrentado prejuízos nas lavouras de milho e feijão devido à interrupção das chuvas.
O alerta também envolve a criação de animais. Com a redução das chuvas, a tendência é de diminuição das pastagens, o que pode aumentar a dificuldade dos produtores para alimentar o gado e garantir água durante os próximos meses.
Zona urbana também sente os efeitos
Na área urbana, João Dias destaca a importância das lagoas existentes em Feira de Santana. Segundo ele, as 38 lagoas presentes na área urbana contribuem para aumentar a umidade do ar e podem ajudar na redução dos efeitos das ilhas de calor.
Para o especialista, a preservação desses espaços, das nascentes e da arborização urbana deve ser tratada como uma ação permanente de enfrentamento às mudanças climáticas.
A população também pode contribuir evitando o corte de árvores e realizando novos plantios. Dias ressalta, porém, que a escolha das espécies deve levar em consideração o bioma e as características do local onde serão plantadas.
Ele recomenda atenção à existência de redes de água, esgoto, drenagem e fiação elétrica antes do plantio. Árvores com raízes mais agressivas, como gameleiras, ingás, jaqueiras e mangueiras, não são indicadas para áreas próximas a calçadas e construções.
Já espécies como ipês, entre outras árvores adaptadas ao ambiente local, podem ser utilizadas em determinados espaços, desde que haja orientação técnica.
Mudanças climáticas exigem mudança de hábitos
João Dias também relaciona o cenário atual às mudanças climáticas provocadas pela emissão de gases de efeito estufa. Para ele, além das políticas públicas, é necessário que a própria população modifique hábitos relacionados ao transporte e ao consumo.
Entre as medidas citadas estão o uso de bicicletas, compartilhamento de veículos, redução do consumo de combustíveis fósseis e maior utilização de alternativas consideradas menos poluentes.
“É preciso falar e fazer”, defendeu.
Segundo ele, ações individuais, quando adotadas por uma parcela significativa da população, podem contribuir para reduzir os impactos ambientais.
Chuva regular pode demorar
Sobre a possibilidade de retorno das chuvas regulares, Dias afirma que ainda existe um cenário de incerteza, mas avalia que a região pode enfrentar meses difíceis.
A preocupação é maior com o período entre setembro e dezembro, quando a redução das chuvas pode provocar problemas para os agricultores, especialmente em relação à manutenção das pastagens e à disponibilidade de água.
O especialista defende planejamento antecipado por parte do poder público e dos produtores rurais para enfrentar um possível período prolongado de estiagem.
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