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Clécia Vasconcelos | Violência e Direitos Humanos | CLÉCIA VASCONCELOS ENCERRA CICLO NA POLÍCIA CIVIL E INICIA NOVA FASE COM FOCO NA ADVOCACIA E PROJETOS SOCIAIS

Ex-delegada fala sobre legado em Feira de Santana, desafios no combate à violência e experiências que marcaram sua trajetória profissional

Clécia Vasconcelos | Violência e Direitos Humanos | CLÉCIA VASCONCELOS ENCERRA CICLO NA POLÍCIA CIVIL E INICIA NOVA FASE COM FOCO NA ADVOCACIA E PROJETOS SOCIAIS
📸Onildo Rodrigues

Após anos de atuação na Polícia Civil da Bahia, a doutora Clécia Vasconcelos inicia uma nova fase da vida com a aposentadoria. A mudança de ciclo, segundo ela, representa uma oportunidade para ampliar a dedicação à advocacia, ao ensino e aos projetos sociais que sempre fizeram parte da sua trajetória.

Mesmo após a aposentadoria, Clécia afirma que continua com uma rotina ativa. Ela permanece lecionando em faculdades e pretende fortalecer sua atuação em áreas ligadas ao Direito e às causas sociais.

“É um novo ciclo. Vou me dedicar à advocacia e continuar me dedicando aos projetos sociais que gosto muito. Me sinto uma pessoa muito abençoada em fechar esse ciclo”, afirmou.

Relação com Feira de Santana

Ao avaliar a trajetória construída no município, Clécia destacou a gratidão pelo acolhimento da população e afirmou que o maior legado está relacionado à forma como sempre buscou compreender as histórias por trás de cada ocorrência.

Segundo ela, o trabalho desenvolvido ao longo dos anos foi marcado pela aproximação com a comunidade.

“Muitos se apropriam da pauta, da mídia, mas poucos se apropriam da causa. Aquilo que a gente faz com o coração ecoa, o povo sente a verdade”, declarou.

Atuação revelou desafios da violência

Durante a carreira, Clécia passou por setores que lidam diretamente com violência contra mulheres, crimes sexuais e adolescentes envolvidos em situações de vulnerabilidade.

A passagem pela Delegacia do Adolescente Infrator (DAI), segundo ela, ampliou sua percepção sobre a complexidade dos problemas sociais.

A ex-delegada explicou que, enquanto no atendimento à mulher vítima de violência existe a busca pelo rompimento de um ciclo com o agressor, nos casos envolvendo adolescentes a realidade apresenta outros desafios, principalmente quando há abandono familiar, drogas e ausência de referências.

“É uma realidade muito complexa. A gente percebe muito sofrimento e entende que é preciso olhar para essas histórias com mais profundidade”, afirmou.

Leis mais duras não são solução isolada

Ao comentar o aumento dos casos de violência, Clécia defendeu que o combate à criminalidade não depende apenas do endurecimento das leis.

Para ela, é necessário investir em políticas públicas, educação e prevenção.

“Não sou adepta do endurecimento das leis pelo uso simbólico do direito penal. Precisamos de uma política pública e criminal realmente eficaz, não apenas uma resposta para atender discursos”, disse.

Ela também destacou o impacto das redes sociais e do uso de drogas como desafios atuais para famílias e instituições.

Memórias que marcaram a carreira

Entre as experiências que mais marcaram sua trajetória, Clécia relembrou situações envolvendo famílias que perderam seus filhos em contextos de violência.

Um dos episódios citados foi o encontro com uma mãe durante uma ocorrência no bairro Campo Limpo, em Feira de Santana.

Segundo ela, a situação reforçou a importância de compreender o sofrimento das famílias, independentemente das circunstâncias envolvendo a vítima.

“Eu não estava defendendo o bandido. Eu estava defendendo o direito daquela mãe chorar o filho dela”, contou.

Um novo capítulo

Apesar da aposentadoria, Clécia Vasconcelos afirma que segue motivada e olhando para o futuro.

Sem deixar de lado os aprendizados acumulados, ela pretende continuar contribuindo com a sociedade por meio da advocacia, da educação e dos projetos sociais.

“Eu não olho para trás. Sigo em frente dizendo: até aqui o Senhor nos ajudou”, afirmou.


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