Educação | Paralisação | Professores paralisam atividades e cobram cumprimento de acordo da Prefeitura em Feira de Santana
Sindicato aponta descumprimento de compromissos sobre carreira e valorização dos profissionais; Secretaria de Educação afirma que negociações seguem em andamento
A rede municipal de ensino de Feira de Santana teve as atividades paralisadas nesta segunda-feira (20), em um movimento convocado pela APLB Sindicato. A mobilização reuniu professores na sede da entidade, durante o “Café com Educação”, para cobrar da Prefeitura o cumprimento de acordos firmados com a categoria e avanços nas negociações sobre a pauta de reivindicações.

Marlede Oliveira 📸Onildo Rodrigues
Segundo a presidente da APLB Feira, Marlede Oliveira, a decisão pela paralisação foi aprovada em assembleia realizada na última quinta-feira (16), após sucessivos adiamentos das reuniões de negociação.
De acordo com ela, a principal cobrança é o cumprimento de um acordo firmado em 2025, que, segundo o sindicato, previa a atualização da tabela salarial, a valorização da carreira, mudanças de referência para professores com especialização, mestrado e doutorado, além da recomposição salarial da categoria.
“A categoria esperou meses por uma resposta. Houve reuniões remarcadas, mas sem apresentação de propostas concretas. Não existe diálogo quando não há resposta”, afirmou.
Marlede também criticou a falta de professores nas escolas municipais, a carência de cuidadores para estudantes neurodivergentes e afirmou que profissionais têm deixado a rede municipal em busca de melhores salários em cidades da região.
A dirigente sindical declarou ainda que a categoria permanece em assembleia permanente e que novas mobilizações poderão ser definidas caso não haja avanço nas negociações com o governo municipal.
Entre as reivindicações apresentadas pelo sindicato estão:
* Atualização da tabela salarial da carreira;
* Mudança de referência para professores com titulação;
* Valorização profissional;
* Contratação de professores para suprir a carência nas escolas;
* Melhorias na infraestrutura das unidades de ensino.

Professor Jackson de Oliveira 📸Onildo Rodrigues
Professor relata dificuldades nas escolas
Durante a mobilização, o professor Jackson de Oliveira afirmou que aderiu ao movimento por considerar que os profissionais da educação vêm enfrentando falta de valorização e dificuldades no ambiente escolar.
Segundo ele, além das questões salariais, professores convivem diariamente com problemas de infraestrutura, falta de materiais pedagógicos e dificuldades para desenvolver as atividades em sala de aula.
“O professor busca qualificação, faz especialização, mestrado e doutorado, mas não vê esse esforço reconhecido na carreira. Também enfrentamos falta de materiais básicos para trabalhar, o que prejudica professores e alunos”, disse.
Jackson destacou que a paralisação também busca melhorias para os estudantes.
“Um professor valorizado consegue oferecer um ensino melhor. Nossa luta não é apenas pelos profissionais, mas também por uma educação pública de mais qualidade para os alunos.”
Prefeitura diz que negociações continuam
Em entrevista anterior ao Jornal TransBrasil, o secretário municipal de Educação, Pablo Roberto, afirmou que foi surpreendido pela paralisação, alegando que as negociações com a APLB continuam em andamento.
Segundo o secretário, o município mantém diálogo com o sindicato e busca construir soluções para as demandas apresentadas pela categoria.
Até o encerramento da mobilização, professores permaneciam reunidos em assembleia para avaliar os próximos passos do movimento.
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