Trânsito | Fiscalização | Debate sobre violência no trânsito mobiliza autoridades em Feira de Santana
Durante evento no HGCA, Ministério Público, direção do hospital e deputado Zé Neto defenderam fiscalização mais rígida, educação no trânsito e ações integradas para reduzir acidentes
Representantes do Ministério Público, autoridades da saúde, forças de segurança e lideranças políticas participaram, em Feira de Santana, de um debate sobre os altos índices de violência no trânsito e os impactos no sistema público de saúde.
O encontro foi realizado no auditório do Hospital Geral Clériston Andrade e reuniu instituições parceiras em busca de medidas para reduzir os acidentes, principalmente envolvendo motociclistas.

Promotor público Audo Rodrigues 📸Onildo Rodrigues
O promotor de Justiça Audo Rodrigues afirmou que o principal objetivo da coletiva foi apresentar à população as ações desenvolvidas pelos órgãos responsáveis e reforçar a necessidade de mudanças no comportamento dos condutores.
“Existe um esforço conjunto das instituições para mudar esse panorama da violência no trânsito em Feira de Santana”, destacou.
Segundo o representante do Ministério Público, apesar de uma pequena redução nos números de acidentes na cidade, ainda há preocupação com o aumento dos casos registrados em municípios vizinhos que acabam encaminhando vítimas para o HGCA.
Audo Rodrigues chamou atenção para o trecho do Anel de Contorno entre o Portal do Sertão e a Cidade Nova, apontado como um dos pontos mais críticos da cidade em número de acidentes.
De acordo com ele, dados da Polícia Rodoviária Federal mostram que os trechos já duplicados tiveram redução de até 90% nos acidentes.
Mesmo reconhecendo problemas estruturais nas vias, o promotor ressaltou que os condutores também precisam assumir responsabilidade.
“Não se pode atribuir toda a culpa ao poder público quando o motorista trafega em alta velocidade em locais onde sabe que há problemas na pista”, afirmou.
O promotor explicou ainda que o Ministério Público acompanha os casos de acidentes graves por meio de promotorias especializadas e que crimes previstos no Código de Trânsito Brasileiro, como embriaguez ao volante, homicídio culposo e direção sem habilitação, podem resultar em responsabilização criminal.

Diretora HGCA 📸Onildo Rodrigues
A diretora do HGCA, Cristiana França, destacou que os acidentes de trânsito continuam sendo uma das principais causas de ocupação hospitalar na unidade.
Segundo ela, apesar da redução discreta registrada nos primeiros meses de 2026 em comparação com 2025, os números ainda preocupam.
“As lesões mais frequentes são fraturas de membros inferiores, mas os casos envolvendo cabeça e face continuam graves, principalmente pela falta do uso do capacete”, explicou.
Cristiana França alertou que muitos pacientes chegam ao hospital com risco de sequelas permanentes.
“Quando a lesão atinge a região da cabeça ou da cervical, o paciente pode perder os movimentos do pescoço para baixo”, afirmou.
A diretora também revelou o impacto financeiro causado pelos acidentes no sistema de saúde.
De acordo com ela, um paciente internado na UTI custa, em média, R$ 5 mil por dia ao hospital. Já os casos que necessitam de cirurgia e enfermaria geram custo aproximado de R$ 2,5 mil diários.
Outro ponto debatido durante o encontro foi o aumento dos acidentes envolvendo motociclistas de cidades vizinhas e distritos da região, onde o uso do capacete ainda é baixo.
“Fora de Feira de Santana vemos muitos condutores sem capacete, e as lesões geralmente são muito mais graves”, afirmou Cristiana.

Deputado Zé Neto 📸Onildo Rodrigues
O deputado federal Zé Neto também participou da discussão e defendeu união entre poder público, forças de segurança, imprensa e sociedade civil para enfrentar o problema.
O parlamentar destacou que cerca de 78% dos leitos ocupados no HGCA estão relacionados a acidentes de trânsito.
“Não existe hospital que suporte essa demanda se a sociedade não agir preventivamente”, declarou.
Zé Neto criticou ainda a pressão sofrida por entregadores de aplicativos, que muitas vezes precisam cumprir prazos curtos de entrega.
Segundo ele, essa exigência pode incentivar excesso de velocidade e aumentar os riscos de acidentes.
O deputado informou que pretende apresentar um projeto para discutir regras relacionadas ao tempo mínimo exigido pelas plataformas digitais para entregas.
Durante o debate, também foram defendidas ações mais intensas de fiscalização no período junino, além de campanhas educativas e maior diálogo com motociclistas e trabalhadores por aplicativo.
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