Professores | Educação privada | Professores da rede privada enfrentam salários baixos e sobrecarga, aponta sindicato durante visita a Feira de Santana
Representante do Simpro Bahia destaca impasse nas negociações salariais, precarização do trabalho docente e alerta para risco de “apagão” de professores nos próximos anos
Professores da rede privada de ensino na Bahia enfrentam um cenário de desvalorização salarial, sobrecarga de trabalho e incertezas nas negociações coletivas. O alerta foi feito pelo professor Alisson Mustafá, dirigente do Sindicato dos Professores no Estado da Bahia (Simpro-BA), durante visita a Feira de Santana como parte do projeto “Giro Simpro Bahia”.
A iniciativa tem como objetivo aproximar o sindicato da categoria em diferentes regiões do estado, fortalecendo a mobilização em meio às campanhas salariais em andamento. Segundo Mustafá, tanto no ensino superior quanto na educação básica, as negociações com o setor patronal têm encontrado resistência.
“No ensino superior, a campanha de 2025 ainda não foi concluída porque o patronal não apresenta propostas minimamente aceitáveis. Já na educação básica, iniciamos agora as negociações, mas também percebemos dificuldade de diálogo”, explicou.
Um dos principais pontos de preocupação é o piso salarial da categoria na rede privada. Atualmente, professores da educação básica recebem cerca de R$ 12 por hora-aula, valor bem abaixo do praticado na rede pública, onde o piso gira em torno de R$ 28,50 por hora. A diferença, segundo o sindicato, evidencia uma desvalorização estrutural da profissão.
Além da questão salarial, o dirigente destacou o aumento da carga de trabalho dos docentes. Entre os fatores estão o excesso de avaliações, demandas administrativas e o uso de plataformas digitais sem planejamento adequado.
“O professor hoje acumula funções e isso tem impacto direto na saúde mental. Esse é um tema central da nossa campanha”, afirmou.
Para tentar avançar nas negociações, o sindicato propõe um reajuste baseado na inflação do período, acrescido de 5% de ganho real. A estratégia inclui também a discussão de um plano escalonado de valorização salarial ao longo dos próximos anos, permitindo previsibilidade tanto para professores quanto para instituições de ensino.
Outro ponto levantado durante a visita foi o risco de falta de profissionais no futuro. De acordo com Mustafá, a baixa atratividade da carreira docente já impacta a procura por cursos de licenciatura, o que pode resultar em um “apagão” de professores em médio prazo.
“Se a carreira continua desvalorizada, com baixos salários e alta exigência, menos pessoas vão querer ser professor. Isso é um problema sério para toda a sociedade”, alertou.
Sobre a possibilidade de paralisações, o sindicato não descarta a adoção de medidas mais duras caso não haja avanço nas negociações. Embora ressalte que a greve é o último recurso, a entidade afirma que o instrumento pode ser utilizado diante da falta de diálogo.
A agenda do Simpro-BA em Feira de Santana inclui encontros com professores da região para discutir demandas, ampliar a sindicalização e fortalecer a mobilização da categoria em um momento considerado decisivo para a valorização profissional.
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