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Carro elétrico | Economia de combustível | Carro elétrico pode reduzir custos em até 70%, afirma engenheiro elétrico

Em entrevista, Jônatas Guedes explica economia no dia a dia, cuidados com a bateria e alerta para riscos em instalações irregulares

Carro elétrico | Economia de combustível | Carro elétrico pode reduzir custos em até 70%, afirma engenheiro elétrico
📸Onildo Rodrigues

O crescimento do uso de carros elétricos no Brasil já começa a impactar diretamente o bolso do consumidor, principalmente para quem utiliza o veículo com frequência, como motoristas por aplicativo. Em entrevista ao programa Levante a Voz, o engenheiro elétrico Jônatas Guedes detalhou as principais vantagens, desafios e cuidados necessários com esse tipo de tecnologia.

Segundo ele, a economia é um dos fatores mais atrativos. “Hoje, o custo por quilômetro rodado pode cair de cerca de R$ 0,64 em um carro a combustão para aproximadamente R$ 0,15 em um carro elétrico carregado em casa”, explicou. Em eletropostos, esse valor sobe para cerca de R$ 0,33, mas ainda representa uma redução significativa. Com uso de energia solar, o custo pode cair ainda mais, chegando próximo de R$ 0,04 por quilômetro.

Outro ponto destacado foi a praticidade do carregamento residencial. De acordo com o engenheiro, um carregador comum de 7 kW tem potência semelhante à de um chuveiro elétrico e pode levar cerca de cinco horas para carregar totalmente um veículo de entrada, com bateria média de 36 kWh.

Apesar das vantagens, Jônatas alertou para a necessidade de instalação elétrica adequada. Ele enfatizou que improvisações podem trazer riscos sérios. “Não é algo para fazer com extensão ou adaptação improvisada. A carga é alta e contínua, podendo causar superaquecimento e até incêndios. O correto é procurar um profissional qualificado e seguir as normas técnicas”, afirmou.

Sobre a durabilidade das baterias, o engenheiro explicou que a tecnologia atual evoluiu e não sofre mais com o chamado “efeito memória”, comum em baterias antigas. Ainda assim, ele recomenda boas práticas para prolongar a vida útil, como manter o nível de carga entre 20% e 80%.

Em relação à revenda, uma preocupação comum entre os consumidores, Jônatas destacou que os carros elétricos possuem sistemas que informam o estado da bateria, facilitando a avaliação. Ele também ressaltou que, apesar do alto custo — podendo representar até 80% do valor do veículo —, as baterias têm longa vida útil, com garantia de milhares de ciclos de recarga.

Uma alternativa interessante, segundo o especialista, é o reaproveitamento dessas baterias após o uso automotivo. “Em outros países, elas já são utilizadas em residências para armazenamento de energia, o que pode reduzir o impacto do custo de substituição”, explicou.

O engenheiro também observou que, ao contrário do que muitos imaginam, a desvalorização dos carros elétricos ainda não é tão acentuada quanto a dos veículos tradicionais. Além disso, eles exigem menos manutenção, já que não possuem itens como óleo de motor e diversos filtros.

Por outro lado, ele reconhece que a autonomia e a infraestrutura de recarga ainda são desafios, principalmente para longas distâncias. “Para uso urbano, vale muito a pena. Mas quem roda muito em regiões sem estrutura precisa se planejar melhor”, ponderou.

Na Bahia, o número de veículos elétricos já ultrapassa mil unidades em cidades como Feira de Santana, que também começa a ampliar a rede de pontos de recarga — um sinal claro de que a tecnologia está em expansão.

Ao final da entrevista, Jônatas reforçou que a decisão deve ser feita com planejamento. “Coloque tudo na ponta do lápis. Em muitos casos, a economia com combustível pode até ajudar a pagar o próprio carro”, concluiu.

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