Abril Laranja | Proteção animal | Abril Laranja: abrigo em Feira de Santana enfrenta superlotação e pede apoio da sociedade
Sem recursos fixos e com mais de 200 animais, Associação de Proteção Animal reforça importância da conscientização contra a crueldade
Em meio à campanha do Abril Laranja, mês dedicado à conscientização contra a crueldade animal, a realidade da Associação de Proteção Animal (APA), em Feira de Santana, escancara os desafios enfrentados diariamente por quem atua na causa.

Coordenadora, Sandra Lima 📸Onildo Rodrigues
Com 24 anos de existência, a entidade abriga atualmente cerca de 240 a 250 animais, entre cães e gatos. Segundo a coordenadora Sandra Lima Moreira de Carvalho, o trabalho é mantido basicamente por doações e pela solidariedade de pessoas que apoiam a causa. Não há repasse fixo de recursos públicos, o que torna a manutenção do espaço uma luta constante.
“A gente faz tudo com muito amor, mas a dificuldade é grande. As contas chegam, os boletos vencem e a gente não tem uma renda fixa. Tudo depende de ajuda”, explica Sandra.
A estrutura do abrigo também exige atenção. Apesar de possuir um espaço amplo, faltam recursos para manutenção, construção de novos canis e melhorias básicas. A necessidade de materiais de construção, mão de obra voluntária e mutirões é urgente para garantir mais dignidade aos animais.
Além da questão estrutural, o abrigo enfrenta desafios operacionais. Atualmente, apenas três funcionários são responsáveis pelos cuidados diários, número considerado insuficiente diante da demanda. O apoio de voluntários é essencial, principalmente para atividades como limpeza, alimentação e acompanhamento da saúde dos animais.
Outro ponto destacado durante a entrevista foi a importância da conscientização. Para Sandra, a crueldade animal vai além da agressão direta. O abandono, a negligência e até a falta de informação também são formas de violência.
“Tem muita gente que erra por falta de orientação. Às vezes não sabe da importância da castração ou dos cuidados básicos. Por isso, conscientizar é fundamental”, afirma.

Voluntaria, Alba Santos 📸Onildo Rodrigues
A voluntária Alba Santos reforça que pequenas atitudes podem fazer grande diferença, como compartilhar informações, incentivar a adoção responsável e apoiar iniciativas da instituição. Segundo ela, muitos animais passam a vida inteira no abrigo, sem nunca encontrar um lar.
A alimentação dos animais, por exemplo, é garantida com esforço. Doações de ração ajudam, mas não são constantes. O abrigo também depende de alternativas, como a doação de alimentos para complementar a nutrição dos cães e gatos.
Na área da saúde, a situação é ainda mais delicada. Sem veterinário fixo, o atendimento depende de parcerias com clínicas e profissionais que oferecem serviços a custos reduzidos. Casos mais graves exigem deslocamento e geram despesas extras.
Durante o Abril Laranja, a entidade reforça a importância das denúncias de maus-tratos, que podem ser feitas de forma anônima. No entanto, Sandra chama atenção para outro problema: a falta de estrutura para acolher os animais resgatados.
“Não adianta só denunciar. A gente precisa saber para onde esses animais vão. É um trabalho conjunto, que envolve toda a sociedade”, destaca.
A associação também busca alternativas para arrecadar recursos, como bazar solidário e venda de produtos. Ainda assim, a necessidade de apoio é constante.
Para os voluntários, a causa animal precisa ser encarada como uma responsabilidade coletiva. Mais do que ajudar financeiramente, é preciso mudar comportamentos, promover a educação e cobrar políticas públicas mais efetivas.
“Todo mundo pode fazer alguma coisa. Seja ajudando, divulgando ou orientando. O importante é não se omitir”, conclui Sandra.
Comentários (0)