Meio Ambiente | Poluição | Mortandade de peixes em Jaguara acende alerta ambiental e reforça preocupação com Lagoa Grande em Feira
Secretaria investiga causas da morte de espécies nativas e orienta população a evitar consumo e contato com a água; poluição e presença de jacarés expõem desafios ambientais na Lagoa Grande
A morte de dezenas de peixes registrada na barragem do distrito de Jaguara, em Feira de Santana, nos primeiros dias de abril, colocou em alerta moradores e autoridades ambientais do município. O caso, que chegou ao conhecimento da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Recursos Naturais (SEMMAM) no dia 7, está sendo investigado com apoio de universidades e empresa especializada.

João Dias, diretor de Planejamento de Educação Ambiental 📸Onildo Rodrigues
De acordo com João Dias, diretor de Planejamento de Educação Ambiental da pasta, a situação chamou atenção principalmente por atingir espécies nativas, como o piau três-pintas e o maccará, conhecido popularmente como corró. Segundo ele, a mortandade em grande quantidade foge do padrão considerado natural, que pode ocorrer por fatores biológicos ou ambientais em pequena escala.
Entre as hipóteses levantadas por moradores está a possível contaminação por agrotóxicos. A suspeita, embora plausível, é de difícil comprovação. Isso porque análises laboratoriais desse tipo são complexas e caras, podendo ultrapassar R$ 15 mil por amostra, além de haver poucos laboratórios capazes de realizar esse tipo de exame no país.
Enquanto a causa não é confirmada, a orientação da SEMMAM é clara: a população deve evitar consumir os peixes, pescar ou entrar na água da barragem. Há relatos de alteração na coloração da água e presença de mau cheiro, o que pode indicar desequilíbrio ambiental e riscos à saúde.
Paralelamente, a situação da Lagoa Grande, no bairro Rocinha, também preocupa. Apesar de já ter passado por obras de requalificação, o local ainda sofre com altos níveis de poluição. Um dos principais problemas apontados é a ligação irregular de esgoto doméstico, com imóveis que não foram conectados à rede coletora, contribuindo para a contaminação contínua da água.
Estudos anteriores já indicaram que a lagoa chegou a apresentar níveis de poluição até 40 vezes acima do considerado normal. Além disso, a presença de jacarés, especialmente da espécie papo-amarelo, tem gerado curiosidade e risco. Embora não sejam considerados agressivos por natureza, os animais podem atacar se provocados — situação agravada por moradores que se aproximam, alimentam e até interagem com os répteis.
Outro fator que influencia o comportamento dos jacarés é a ausência de áreas adequadas para termorregulação, como ilhas de pedras. Sem esses espaços, os animais acabam deixando a lagoa em busca de calor, aproximando-se de áreas urbanas.
A Secretaria reforça a importância da colaboração da população, tanto na preservação ambiental quanto no respeito à fauna local. Novas análises da água da Lagoa Grande devem ser solicitadas para atualização dos dados e definição de medidas futuras.
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