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Saúde mental | Autismo | Mães de crianças com autismo enfrentam sobrecarga emocional e falta de apoio, alerta especialista

Neuropsicólogo destaca riscos de ansiedade, depressão e burnout parental e cobra políticas públicas voltadas também para quem cuida

Saúde mental | Autismo | Mães de crianças com autismo enfrentam sobrecarga emocional e falta de apoio, alerta especialista
📸Onildo Rodrigues

A maternidade já impõe mudanças profundas na vida de qualquer mulher. Mas quando o filho está dentro do Transtorno do Espectro Autista (TEA), especialmente nos níveis 2 e 3 de suporte, a rotina pode se tornar ainda mais exigente — física, emocional e socialmente.

Segundo o neuropsicólogo Alexsandro Santiago, muitas mães acabam assumindo praticamente sozinhas toda a responsabilidade pelo cuidado dos filhos, o que gera um desgaste contínuo.

“É uma rotina cansativa que esgota física e emocionalmente. Essa mãe precisa dar conta da casa, das terapias, da escola e, muitas vezes, sem uma rede de apoio”, explica.

Ele chama atenção para um cenário comum: a ausência ou distanciamento do pai após o diagnóstico. “Em muitos casos, a mãe se torna a única responsável. E ela não vai abandonar o filho. Isso aumenta ainda mais a sobrecarga”, afirma.

Com o passar do tempo, esse acúmulo pode desencadear impactos sérios na saúde mental. Entre os principais problemas estão ansiedade, depressão e o chamado burnout parental — um esgotamento extremo causado pela rotina intensa de cuidados.

“Nada acontece do nada. São sinais que vão surgindo ao longo do tempo: alterações de humor, isolamento social, cansaço extremo. É preciso observar”, destaca o especialista.

Outro ponto crítico é a falta de atenção à saúde dessas mães dentro do próprio sistema de cuidado. Enquanto o foco costuma estar na criança, quem cuida muitas vezes é negligenciado.

“Existe uma rede de profissionais para atender a criança, mas quem cuida dessa mãe? Se ela adoece, como vai cuidar do filho?”, questiona.

A ausência de rede de apoio, seja familiar ou institucional, agrava ainda mais o cenário. Há casos em que a mãe não consegue sequer resolver questões pessoais por não ter com quem deixar a criança — especialmente quando há forte apego, comum em níveis mais severos do espectro.

Para o neuropsicólogo, o acompanhamento psicológico deve começar desde o diagnóstico. “É um momento de impacto. Essa mãe precisa de orientação, acolhimento e preparo para lidar com a realidade que vem pela frente”, pontua.

Ele também reforça a importância do papel da família e da sociedade na divisão de responsabilidades. “O apoio é fundamental. Não pode ser uma carga exclusiva da mãe.”

No campo das políticas públicas, o especialista defende ações mais amplas e integradas. Segundo ele, não basta oferecer benefícios financeiros — é preciso investir em informação, formação e suporte contínuo.

“Saúde, educação e assistência social precisam atuar juntas. E é essencial preparar tanto os profissionais quanto as mães, para que elas saibam lidar com seus filhos e também cuidem de si”, explica.

Além disso, ele critica a limitação de ações pontuais, geralmente concentradas em datas específicas. “Não dá para falar de autismo só em abril. Essa é uma realidade diária para essas famílias.”

Como mensagem final, o especialista reforça a importância do autocuidado e da busca por ajuda.

“Cuidar de si não é fraqueza. É necessário. Essa mulher também cansa, também adoece. Buscar apoio é um ato de amor próprio”, conclui.


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