Semana Santa | Fé | Semana Santa vai além de tradições e pede reflexão, diz arcebispo de Feira de Santana
Dom Zanoni destaca sentido espiritual da Sexta-feira Santa e alerta contra excessos durante o período
A Semana Santa, um dos períodos mais importantes para os cristãos, vai muito além de tradições e rituais. A reflexão é do arcebispo de Feira de Santana, Dom Zanoni Demettino Castro, que destacou o verdadeiro sentido desse momento vivido pela Igreja.

Arcebispo, Dom Zanoni 📸Arquidiocese de Fsa
Segundo ele, a Semana Santa marca o ponto alto da espiritualidade cristã, relembrando os últimos passos de Jesus Cristo — da entrada em Jerusalém, no Domingo de Ramos, até a crucificação e a ressurreição.
“A gente celebra a paixão, morte e ressurreição de Jesus. Mas não é apenas uma lembrança do passado. É um momento que se conecta com a realidade atual, com o sofrimento das pessoas, com as dores da humanidade”, explicou.
Sexta-feira Santa: silêncio, jejum e reflexão
Dom Zanoni ressaltou que a Sexta-feira Santa é um dia de profundo respeito dentro da Igreja Católica. Diferente de outras datas, não há celebração de sacramentos.
“É o dia da paixão de Jesus, o momento em que Ele é levado à cruz. Por isso, a Igreja convida ao silêncio, à oração e à sobriedade”, afirmou.
O arcebispo também reforçou que práticas como jejum e abstinência têm um sentido mais profundo do que apenas deixar de consumir certos alimentos.
“O sacrifício que agrada a Deus é a preocupação com o outro, com a vida. É um tempo de conversão, de olhar para dentro e também para quem mais precisa”, destacou.
Tradição de banquetes não combina com o momento
Um ponto que chama atenção é o costume de reunir a família para refeições mais elaboradas durante a Semana Santa, especialmente na Sexta-feira.
De acordo com Dom Zanoni, essa prática não está alinhada com o espírito do dia.
“A Sexta-feira Santa não é dia de banquete. É um tempo de jejum, simplicidade e recolhimento. O banquete é próprio da celebração da Páscoa, da ressurreição”, explicou.
Apesar disso, ele reconhece que muitos desses hábitos fazem parte da cultura popular, especialmente no Nordeste, mas reforça a necessidade de resgatar o verdadeiro significado da data.
Vivência no mundo atual
Para viver a Semana Santa de forma mais autêntica, o arcebispo aponta caminhos simples, mas profundos: oração, silêncio e reconciliação.
“É um tempo de escuta da Palavra, de diminuir o ritmo, de buscar a Deus. Muitas pessoas têm procurado a confissão, buscando recomeçar”, disse.
Programação em Feira de Santana
As celebrações acontecem em diversas paróquias da cidade. Entre os destaques estão a Missa da Ceia do Senhor, nesta quinta-feira, com o tradicional rito do lava-pés, e a Procissão do Fogaréu, que relembra a prisão de Jesus.
A programação segue até o Domingo de Páscoa, quando os cristãos celebram a ressurreição.
“Não termina na cruz. A última palavra é a vida. Jesus vive e caminha conosco”, concluiu o arcebispo.
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