SAMU | Trote | TROTES AO SAMU COLOCAM VIDAS EM RISCO EM FEIRA DE SANTANA
Mesmo com redução em 2026, ligações falsas ainda comprometem o atendimento de urgência e podem atrasar socorro a casos graves
Feira de Santana — Um problema antigo, mas ainda persistente, continua impactando diretamente o atendimento de urgência em Feira de Santana: os trotes ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192). Apesar de uma redução registrada em 2026, as ligações falsas ainda representam risco real para quem precisa de socorro imediato.

Diretora-geral SAMU Feira de Santana, Rita Lima 📸Onildo Rodrigues
De acordo com a diretora-geral do SAMU no município, Rita Lima, o serviço vem monitorando os números e identificou oscilações nos últimos anos. “Fazendo um comparativo entre 2024, 2025 e 2026, tivemos um aumento significativo de trotes entre 2024 e 2025, saindo de 9,5% para 14,7%. Já em 2026, houve uma redução para cerca de 6,3%, mas isso ainda não é o ideal”, explicou.
Mesmo com a queda recente, o impacto das chamadas falsas segue sendo preocupante. Segundo Rita, cada ligação indevida ocupa toda a estrutura do atendimento. “Uma ligação falsa prende a linha, ocupa o atendente, o médico regulador e pode até mobilizar ambulâncias. Enquanto isso, uma ocorrência verdadeira pode não conseguir contato ou ter o atendimento atrasado”, alertou.
A diretora reforça que o tempo é fator decisivo em casos graves. “O SAMU trabalha com urgência e emergência. Cada minuto é crucial, é o que pode fazer a diferença entre a vida e a morte. Quando há atraso, o risco para o paciente aumenta consideravelmente”, destacou.
Atualmente, o SAMU de Feira de Santana conta com uma estrutura composta por sete unidades básicas, duas unidades de suporte avançado (UTI móvel) e uma motolância. O serviço realiza, em média, cerca de 1.990 atendimentos por mês, o que representa aproximadamente 67 ocorrências por dia que demandam deslocamento de ambulâncias.
Além disso, há também atendimentos resolvidos por orientação médica via telefone. “Nem toda ligação gera saída de ambulância. Muitas vezes, o médico orienta o solicitante e resolve a situação sem necessidade de deslocamento”, explicou Rita.
O tempo médio de atendimento inicial, desde a ligação até a regulação médica, gira em torno de cinco minutos. Já o tempo de resposta da equipe varia conforme a localização da ocorrência. “Dentro da cidade, o tempo médio é de cerca de 10 minutos. Já nos distritos, pode chegar a 15 ou 20 minutos, devido à distância”, detalhou.
Outro ponto destacado pela diretora é a importância da regulação médica, que muitas vezes gera questionamentos por parte da população. “As pessoas acham que o SAMU pergunta demais, mas essas perguntas são fundamentais. É a partir delas que o médico avalia a gravidade e define qual o melhor recurso, seja uma orientação, uma unidade básica ou uma UTI móvel”, esclareceu.
Rita Lima também faz um alerta sobre o uso correto do serviço. Nem todas as situações exigem o acionamento do SAMU. “Casos simples, como dor de cabeça, dor de dente ou mal-estar leve, não devem acionar o SAMU. O serviço é destinado a situações de urgência e emergência, como infarto, AVC, parada cardíaca e acidentes graves”, pontuou.
Além de prejudicar o atendimento, o trote também pode gerar consequências legais. “Todas as ligações são gravadas. Em casos de reincidência, os números são encaminhados aos órgãos competentes. O trote é crime e pode resultar em punições”, afirmou.
Por fim, a diretora reforçou o apelo à população. “O SAMU é um serviço essencial, é da população e para a população. A gente pede que usem com responsabilidade. Uma ligação falsa pode impedir que alguém receba socorro a tempo. Pode ser a diferença entre a vida e a morte”, concluiu.
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