Violência doméstica | Prevenção | Feira de Santana aposta em acompanhamento de homens agressores para quebrar ciclo de violência
Secretaria da Mulher destaca atuação de equipe multidisciplinar e defende educação desde a infância como caminho para prevenir novos casos
A Secretaria da Mulher de Feira de Santana está estruturando uma estratégia que vai além do atendimento às vítimas: o acompanhamento direto de homens agressores. A proposta, segundo a secretária Neinha Bastos, é atuar na raiz do problema, com foco na conscientização e na transformação de comportamento.

Secretária da Mulher, Neinha Bastos 📸Onildo Rodrigues
De acordo com a gestora, muitos casos de violência acontecem por impulso ou repetição de padrões familiares. “Muitas vezes é a primeira vez que esse homem comete a agressão. Ele cresceu vendo aquilo dentro de casa e acaba reproduzindo”, explica. A partir disso, o trabalho da secretaria busca interromper esse ciclo antes que ele evolua para situações mais graves.
O atendimento é feito por uma equipe multidisciplinar, formada por assistentes sociais, psicólogas e advogados. Esses profissionais acompanham tanto a vítima quanto o agressor, que é chamado para participar de conversas e sessões de orientação psicológica. A ideia é promover reflexão, responsabilização e mudança de atitude.
Segundo Neinha, em muitos casos, o resultado é positivo. “Há famílias que conseguem se reestruturar. Esse homem passa a entender o erro, sai daquele ciclo de violência e pode até influenciar outros a não cometerem o mesmo”, destaca.
A secretária também chama atenção para a necessidade de envolver toda a sociedade no combate à violência contra a mulher, especialmente os homens. “Não é uma luta só da mulher. O pai de família precisa estar junto, precisa entender que essa política pública também é para ele, para proteger sua filha, sua família”, afirma.
Diante do aumento de casos recentes no país, inclusive envolvendo pessoas de diferentes classes sociais, Neinha reforça que a violência está diretamente ligada à falta de equilíbrio emocional e histórico familiar mal resolvido. “Quando não há esse controle, o desfecho pode ser trágico, chegando ao feminicídio”, alerta.
Outro ponto destacado pela secretaria é a importância da educação preventiva. A proposta de levar os conceitos da Lei Maria da Penha para dentro das escolas, desde a infância, é vista como essencial para mudar comportamentos futuros.
“A criança aprende dentro de casa. Se ela presencia violência, pode achar aquilo normal e repetir no futuro. Precisamos mostrar desde cedo que relacionamento não é dor, não é agressão”, pontua.
A iniciativa reforça a importância de políticas públicas integradas que atuem não apenas na punição, mas também na prevenção, buscando reduzir os índices de violência doméstica e evitar novos casos de feminicídio.
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