Saúde pública | Mpox | Bahia confirma primeiros casos de Mpox em 2026; infectologista descarta risco de epidemia
Registros em Vitória da Conquista e Salvador acendem alerta, mas cenário segue sob controle, afirma especialista
A Bahia confirmou os dois primeiros casos de Mpox em 2026. Um paciente está em Vitória da Conquista, no sudoeste do estado, e o outro em Salvador, sendo este classificado como caso importado, de uma pessoa que veio de Osasco, em São Paulo. Apesar do registro, especialistas reforçam que não há motivo para pânico.
Em entrevista, a infectologista Melissa Falcão explicou que a presença de novos casos não significa uma emergência em saúde pública. Segundo ela, o vírus nunca deixou de circular, apenas passou a ser menos noticiado.
“A Mpox continua existindo. O fato de não aparecer com frequência no noticiário não quer dizer que não esteja acontecendo. A confirmação desses casos mostra que o vírus segue circulando, mas não indica risco de epidemia neste momento”, afirmou.
A médica destacou que a Mpox tem capacidade de transmissão menor do que doenças como Covid-19 e gripe. Os principais sintomas incluem febre, dor de cabeça, aumento dos gânglios linfáticos e, principalmente, lesões na pele, semelhantes à catapora, porém maiores. Essas feridas costumam surgir inicialmente no rosto e podem se espalhar pelo corpo, incluindo região genital e anal.
A transmissão ocorre, sobretudo, por contato direto com as lesões ou com objetos contaminados, como roupas e lençóis. Por isso, muitos casos recentes estão associados ao contato íntimo prolongado, inclusive relações sexuais, embora a doença não seja considerada exclusivamente sexualmente transmissível.
Sobre o período atual, a infectologista alerta para o aumento do risco após o Carnaval, quando há maior circulação de pessoas e contato físico intenso. “Qualquer pessoa que apresente feridas até três semanas após uma relação sexual ou contato próximo deve procurar uma unidade de saúde, fazer o exame e manter isolamento até a cicatrização das lesões”, orientou.
O diagnóstico e a confirmação da Mpox são feitos gratuitamente pelo SUS, com coleta nos municípios e envio para laboratórios de referência. A vacina existe, mas é destinada apenas a grupos específicos, devido à disponibilidade limitada.
Em relação a Feira de Santana, Melissa Falcão destacou que a cidade, por ser um grande entroncamento rodoviário, exige atenção constante. “Aqui temos uma vigilância muito ativa e costumamos detectar doenças precocemente. A circulação intensa de pessoas aumenta o risco, não só da Mpox, mas de outros vírus”, explicou.
Ao encerrar, a infectologista reforçou a importância da informação e da responsabilidade individual. “Não há motivo para pânico. O mais importante é reconhecer os sinais, procurar atendimento médico, fazer o isolamento e adotar cuidados pessoais e coletivos para interromper a cadeia de transmissão.”
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