Trânsito | Prevenção | Fórum propõe pacto pela vida e une instituições para reduzir violência no trânsito em Feira de Santana
Dados do Hospital Clériston Andrade revelam aumento de atendimentos por acidentes e reforçam urgência de ações educativas, fiscalização e prevenção
A violência no trânsito segue como um dos maiores desafios da saúde pública no Brasil, mas em Feira de Santana o enfrentamento ao problema começa a ganhar um reforço importante. Instituições públicas, entidades empresariais e forças de segurança se reuniram durante o Fórum sobre Violência no Trânsito para discutir dados, impactos e ações concretas voltadas à preservação de vidas.

Cristiana França diretora do HGCA 📸Onildo Rodrigues
Segundo a diretora do Hospital Geral Clériston Andrade, Cristiana França, os números são preocupantes. Somente em 2025, a unidade atendeu cerca de quatro mil pacientes vítimas de acidentes de trânsito, com um aumento de quase 8% em relação ao ano anterior. A maioria dos casos envolve pessoas jovens, muitas delas com sequelas graves ou risco de morte. Além do impacto humano, os acidentes geram sobrecarga na equipe, ocupação de leitos e altos custos para o sistema público de saúde.
Para Cristiana, o hospital funciona como um termômetro da violência no trânsito. Recursos que hoje são usados para cirurgias e atendimentos de urgência poderiam ser investidos em prevenção de doenças como hipertensão e diabetes. “Acidente de trânsito é um evento que pode ser evitado. O que estamos fazendo aqui é um pacto pela vida”, destacou.

Lidiane Queiroz, Câmara da Mulher 📸Onildo Rodrigues
A Câmara da Mulher Empresária de Feira de Santana teve papel central na articulação do fórum. De acordo com a presidente Leidiane Queiroz, a iniciativa surgiu após uma pesquisa realizada em parceria com o hospital e a Superintendência Municipal de Trânsito, que apontou áreas críticas e números alarmantes. A proposta foi tirar os dados das gavetas e provocar a sociedade.
“O trânsito seguro também impacta diretamente o comércio, a economia e a qualidade de vida da cidade. Quando a gente entende os números, começa a dirigir com mais consciência”, afirmou. O próximo passo será a realização do segundo fórum, marcado para o dia 2 de março, desta vez aberto à participação da sociedade, com atenção especial aos motociclistas, grupo mais vulnerável nos acidentes.

Presidente do CIFS 📸Onildo Rodrigues
Representando o setor industrial, o presidente do CIFS, Geraldo Pires, ressaltou a importância de levar a discussão para dentro das empresas. Ele defendeu ações educativas contínuas, palestras e divulgação dos dados como forma de conscientizar trabalhadores e famílias. “A parte mais difícil é mudar comportamento. Mas sem educação, não há solução”, pontuou.

Ricardo da Cunha - SMT 📸Onildo Rodrigues
Já o superintendente municipal de trânsito, Ricardo da Cunha, destacou que Feira de Santana não segue a tendência nacional de crescimento acelerado dos sinistros desde 2019. Segundo ele, os números locais estão mais controlados, reflexo de ações iniciadas ainda em 2025, como fortalecimento da Lei Seca, melhoria da sinalização, projetos de educação nas escolas e ampliação da fiscalização para além do centro da cidade.
Ricardo reforçou que o foco não é punir por punir, mas inibir comportamentos de risco. “Educação é o maior desafio. Engenharia e fiscalização ajudam, mas mudar comportamento é o ponto central”, afirmou. A SMT também anunciou a realização de um congresso nacional de trânsito em Feira de Santana, em maio, com especialistas de todo o país, colocando o município no caminho para se tornar referência no Nordeste.
O fórum reforça que reduzir a violência no trânsito exige ações integradas, participação da sociedade e compromisso contínuo com a vida.
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