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Transporte público | Tarifa zero | Protesto cobra fim do aumento da passagem e tarifa zero em Feira de Santana

Ato reuniu representante de professores, estudantes e usuários do transporte coletivo e denunciou tarifa alta, frota reduzida e falta de diálogo com a Prefeitura

Transporte público | Tarifa zero | Protesto cobra fim do aumento da passagem e tarifa zero em Feira de Santana
📸Onildo Rodrigues

Um protesto realizado na manhã desta segunda-feira mobilizou representante de professores, estudantes universitários e secundaristas, entidades sindicais e usuários do transporte coletivo em Feira de Santana. A manifestação começou no Terminal Central e seguiu até a Prefeitura Municipal, com a principal pauta sendo o aumento da tarifa de ônibus para R$ 5,90 e a defesa da implantação da tarifa zero no município.

O ato foi organizado pela APLB Sindicato, Diretório Central dos Estudantes da UEFS, União dos Estudantes da Bahia, Frente Brasil Popular e outras entidades sociais. Os manifestantes classificam o reajuste como abusivo e afirmam que a decisão foi tomada sem diálogo com a população.

Segundo a presidente da APLB em Feira de Santana, Marlede Oliveira, o aumento penaliza diretamente a classe trabalhadora.

“A discussão no mundo inteiro hoje é sobre tarifa zero. Aqui, temos uma das passagens mais caras do Brasil, com um serviço ruim, ônibus velhos, frota reduzida e sem ouvir o povo. Isso é perverso”, afirmou.

Marlede também criticou o processo de aprovação do reajuste, destacando que a decisão passou por um conselho com maioria ligada ao governo municipal.

“O prefeito sancionou uma lei que não dialogou com a população. Trabalhador não anda de avião, não anda de helicóptero. O trabalhador depende do transporte público”, reforçou.

Estudantes denunciam descumprimento de contrato

Representando o DCE da UEFS, Gideão Gabriel explicou que o protesto desta segunda-feira é resultado de uma série de mobilizações iniciadas na semana anterior, com panfletagens, aulas públicas e debates sobre o transporte coletivo.

De acordo com ele, o reajuste não considera o descumprimento do contrato firmado em 2015.

“O contrato previa mais de 220 ônibus rodando. Hoje, segundo o próprio secretário municipal, circulam apenas cerca de 152 veículos. Mesmo assim, a passagem aumenta. Isso é um assalto à população”, afirmou.

Gideão também destacou que Feira de Santana tem tarifa equivalente à de capitais como São Paulo e Salvador, mas sem a mesma estrutura de transporte.

“Pagamos como capital, mas temos frota reduzida, ônibus sucateados e intervalos enormes entre as viagens”, disse.

Usuários relatam humilhação e precariedade

Durante o ato, usuários do transporte coletivo relataram dificuldades diárias. A aposentada Doracy Jesus afirmou que moradores de bairros distantes chegam a passar mais de duas horas esperando ônibus.

“O transporte praticamente não existe. Se não fossem as vans, muita gente não conseguiria trabalhar”, relatou.

O idoso Lázaro de Jesus denunciou situações de constrangimento envolvendo o uso do passe livre.

“A identidade é um documento federal, mas aqui exigem cartão e humilham o idoso. Já fui impedido de entrar no ônibus. Isso é desrespeito”, afirmou.

Movimento promete novas mobilizações

As entidades informaram que o protesto não se encerra nesta segunda-feira. Um novo calendário de mobilizações será definido, incluindo ações jurídicas e novos atos de rua para tentar barrar o aumento da tarifa.

“Já conseguimos isso antes em Feira e recentemente em Pernambuco. É possível barrar esse aumento. A luta vai continuar”, afirmou Gideão Gabriel.


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