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Mobilidade urbana | Planejamento urbano | Mobilidade em Feira: cidade cresceu, hábitos mudaram e o planejamento não acompanhou

Segundo a arquiteta e urbanista Mabel Reis, Feira de Santana foi se estruturando com foco nos veículos, enquanto calçadas, pedestres e uso do solo ficaram em segundo plano, agravando os problemas de deslocamento.

Mobilidade urbana | Planejamento urbano | Mobilidade em Feira: cidade cresceu, hábitos mudaram e o planejamento não acompanhou
📸Reprodução

A mobilidade urbana em Feira de Santana vai além do trânsito e do número de veículos nas ruas. Para a arquiteta e urbanista Mabel Reis, o problema começa na forma como a cidade se desenvolveu sem integrar o crescimento urbano ao planejamento da mobilidade.

Urbanista e Arquiteta, Mabel Reis  📸Arquivo pessoal 

Ela lembra que, ainda antes de se tornar cidade, Feira já tinha uma lógica de deslocamento, funcionando como ponto de parada dos tropeiros entre Salvador e Cachoeira. Ou seja, desde sua origem, a mobilidade sempre esteve presente na dinâmica urbana. O problema, segundo a urbanista, foi a falta de acompanhamento desse crescimento por parte do poder público ao longo do tempo.

“O que acontece em Feira não é um caso isolado. A gestão pública não acompanhou o desenvolvimento da cidade nem as mudanças de hábito da população, e é aí que surgem os problemas que enfrentamos diariamente”, explica.

Ao analisar se Feira foi pensada para carros ou para pessoas, Mabel é direta. A precariedade das calçadas, a falta de padronização, problemas de drenagem, pavimentação inadequada e o uso irregular dos passeios por comerciantes comprometem o fluxo de pedestres, especialmente no centro da cidade. Além disso, a proporção entre pista de rolamento e calçada evidencia a prioridade dada aos veículos.

Nesse contexto, a cidade acabou sendo moldada mais para carros do que para pessoas, um cenário comum em diversas cidades brasileiras, mas que impacta diretamente a qualidade de vida urbana.

Sobre soluções de baixo custo, a urbanista alerta para um erro recorrente: acreditar que pequenas intervenções pontuais resolvem problemas estruturais. Medidas como reduzir tempo de semáforos, por exemplo, podem até beneficiar motoristas, mas prejudicam pedestres, idosos e pessoas com mobilidade reduzida, além de desrespeitar normas de trânsito.

Para ela, mudanças simples, mas efetivas, passam antes por conhecimento. Um mapeamento detalhado da cidade, com apoio técnico e científico, é fundamental. Universidades, segundo Mabel Reis, podem contribuir diretamente com estudos e diagnósticos que ajudem o poder público a implementar ações mais eficientes, com melhor custo-benefício e impacto social real.


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