Falta d'água | Zona rural | FALTA D’ÁGUA NA ZONA RURAL DE FEIRA DE SANTANA É DISCUTIDA EM AUDIÊNCIA PÚBLICA NA CÂMARA
Embasa atribui dificuldades no abastecimento à expansão da zona rural e à limitação da capacidade de tratamento; conclusão de obra na estação de tratamento está prevista para dezembro de 2026
A falta de água em comunidades da zona rural de Feira de Santana foi tema de uma audiência pública realizada na Câmara Municipal. O encontro reuniu representantes da Embasa, da Secretaria Municipal de Agricultura e vereadores, após uma série de reclamações de moradores que relatam dificuldades no abastecimento, em alguns casos há dois ou três meses sem receber água nas torneiras.
A audiência foi proposta pelo vereador Ismael, autor do requerimento, com o objetivo de cobrar explicações da Embasa e buscar soluções para o problema, que atinge principalmente comunidades dos distritos de Feira de Santana.
Durante a discussão, o vereador destacou a gravidade da situação e defendeu a ampliação dos investimentos no sistema de abastecimento.
“Não estamos pedindo praça, não estamos pedindo asfalto. Estamos pedindo o básico, que é água. As pessoas precisam de água para sobreviver”, afirmou Ismael.
O parlamentar também questionou a diferença no atendimento entre a sede do município e a zona rural e defendeu maior participação do Governo do Estado nos investimentos necessários para ampliar o fornecimento.
PREFEITURA AMPLIA DISTRIBUIÇÃO POR CARROS-PIPA
Durante a audiência, o secretário municipal de Agricultura, Silvaney Araújo, informou que a Prefeitura tem intensificado as ações emergenciais para atender as comunidades afetadas pela estiagem.
Segundo o secretário, são realizadas aproximadamente três mil viagens de carros-pipa por ano. Atualmente, o município conta com cinco caminhões contratados, dois veículos próprios e três tratores utilizados na distribuição de água. A administração também mantém poços artesianos em funcionamento, com sistemas de dessalinização.
Silvaney reconheceu que a estrutura ainda não é suficiente para atender toda a demanda e defendeu o apoio de outros órgãos e esferas de governo.
“Hoje a gente está usando a força máxima das nossas condições para fazer com que a população sofra o menos possível. Precisamos de ajuda do Exército, da Defesa Civil, do Estado e do Governo Federal”, declarou.
O secretário também informou que a Prefeitura está planejando decretar situação de emergência em razão da estiagem. Sobre as reclamações de moradores que aguardam a chegada dos caminhões-pipa, ele afirmou que, em determinados períodos, a fila de atendimento chegou a oito dias, mesmo com mutirões realizados inclusive aos domingos.
EMBASA APONTA LIMITAÇÃO NA CAPACIDADE DE TRATAMENTO
Representando a Embasa, o gerente regional, Raimundo Neto, afirmou que a Barragem de Pedra do Cavalo possui volume suficiente de água, mas reconheceu limitações na capacidade de produção e distribuição do sistema.
De acordo com ele, a estação de tratamento de água já atingiu seu limite operacional. Embora tenha capacidade nominal de 1.500 litros por segundo, a Embasa conseguiu ampliar a produção para aproximadamente 1.900 litros por segundo, volume que ainda não atende plenamente algumas regiões, principalmente na zona rural.
Entre os fatores que dificultam o abastecimento, o gerente citou a expansão territorial das comunidades, a dispersão dos imóveis, os loteamentos irregulares e as ligações clandestinas de água.
“A barragem de Pedra do Cavalo tem volume suficiente para fornecer água. Contudo, precisamos concluir a estação de tratamento, que já atingiu seu limite de produção”, explicou Raimundo Neto.
O representante da Embasa também relacionou as dificuldades ao período de temperaturas elevadas, ao aumento do consumo e à redução de outras fontes de abastecimento, como aguadas e reservatórios utilizados pelas comunidades rurais.
OBRA TEM PREVISÃO DE CONCLUSÃO ATÉ DEZEMBRO
Uma das principais medidas apresentadas pela Embasa é a conclusão das obras de ampliação da estrutura de produção e tratamento de água em Feira de Santana.
Segundo Raimundo Neto, a previsão é que a intervenção seja concluída até o final de dezembro de 2026. A empresa também informou que realiza melhorias operacionais na rede de distribuição e ações emergenciais, incluindo atendimento por carros-pipa e combate às ligações irregulares.
Outro ponto levantado durante a audiência foi a dificuldade de atendimento de algumas localidades por meio de carros-pipa. Segundo o gerente regional, a Embasa só pode fornecer o serviço emergencial em imóveis que possuem ligação ativa com a empresa.
Ele citou como exemplo o distrito de Maria Quitéria, onde, segundo a Embasa, mais de 50% das ligações estariam cortadas, com registros de religação irregular.
Nessas situações, a empresa busca negociar a regularização, enquanto a Prefeitura procura atender emergencialmente as famílias que não conseguem receber água pela distribuidora.
A audiência pública terminou com a cobrança por medidas concretas e ampliação dos investimentos para garantir o abastecimento nas comunidades rurais. A expectativa é que a conclusão das obras e o reforço das ações emergenciais contribuam para reduzir os problemas enfrentados pelos moradores.
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