Novembro Azul | Câncer de próstata | Novembro Azul: urologista alerta que câncer de próstata pode evoluir sem sintomas nas fases iniciais
Eduardo Cerqueira destaca a importância da avaliação médica a partir dos 50 anos, ou dos 45 para homens com fatores de risco, e explica os avanços no diagnóstico e no tratamento da doença
O câncer de próstata é um dos principais desafios da saúde masculina e exige atenção mesmo quando não apresenta sinais aparentes. Durante o Novembro Azul, campanha dedicada à conscientização sobre a doença, o urologista Eduardo Cerqueira chamou a atenção para a importância da avaliação médica e do diagnóstico em fases iniciais, quando as possibilidades de tratamento com intenção de cura são maiores.

Eduardo Cerqueira (Urologista) 📷Onildo Rodrigues
Em entrevista, o especialista explicou que o câncer de próstata está entre os tumores mais frequentes entre os homens e representa um impacto significativo para os pacientes, suas famílias e o sistema de saúde. Segundo ele, a campanha Novembro Azul tem justamente o objetivo de ampliar o acesso à informação e estimular os homens a conversarem sobre a própria saúde.
Entre os principais fatores de risco, Cerqueira destacou a idade avançada e, especialmente, o histórico familiar da doença. Ele também mencionou o tabagismo e a exposição ocupacional a substâncias derivadas do petróleo, como o benzeno, presentes em alguns solventes e combustíveis. Trabalhadores de atividades como asfaltamento e pintura também podem estar expostos a esses compostos.
Avaliação deve começar antes dos sintomas
De acordo com o urologista, a orientação da Sociedade Brasileira de Urologia é que homens sem fatores de risco procurem avaliação a partir dos 50 anos. Para aqueles com maior risco, como homens negros e pessoas com histórico familiar de câncer de próstata, a recomendação é antecipar essa conversa para os 45 anos.
Um dos principais alertas do especialista é que a doença pode se desenvolver sem apresentar sintomas nas fases iniciais. Quando o câncer permanece localizado na próstata, o paciente geralmente não sente dor nem apresenta alterações perceptíveis.
“Você consegue curar o paciente quando ele tem a doença localizada, que é assintomática”, explicou Cerqueira.
Os sintomas costumam aparecer quando a doença avança e atinge estruturas próximas ou outros órgãos. Nesses casos, podem ocorrer dores, especialmente quando há comprometimento dos ossos, além de problemas urinários e outras complicações.
Por isso, esperar o aparecimento de sintomas para procurar atendimento pode atrasar o diagnóstico e reduzir as possibilidades de tratamento com intenção de cura.
PSA, toque retal e novos recursos de diagnóstico
O médico explicou que a avaliação inicial da próstata utiliza principalmente dois recursos: o exame de sangue PSA e o toque retal. Eles ajudam a identificar alterações que podem indicar a necessidade de investigação mais detalhada.
Entretanto, um resultado elevado de PSA não significa necessariamente a presença de câncer. Infecções, aumento do volume da próstata e até situações como andar de bicicleta ou a cavalo e manter relação sexual próximo à coleta podem interferir no resultado.
Quando há suspeita, outros exames podem ser solicitados. Entre os avanços citados pelo urologista estão a ressonância magnética multiparamétrica, que ajuda a identificar áreas suspeitas na próstata, e técnicas mais precisas de biópsia, como a biópsia por fusão de imagens e a transperineal.
Cerqueira também destacou o uso do PET-CT, exame que pode auxiliar na identificação da disseminação da doença, inclusive de pequenas lesões, contribuindo para a definição da estratégia de tratamento.
Cirurgia robótica amplia possibilidades de tratamento
O tratamento depende das características e do estágio do câncer. Nem todo paciente diagnosticado precisa necessariamente passar por cirurgia. A escolha deve considerar a avaliação individual e as condições clínicas de cada pessoa.
Entre as opções disponíveis estão o acompanhamento ativo em casos selecionados, a cirurgia, a radioterapia e os tratamentos hormonais.
Segundo Eduardo Cerqueira, a cirurgia robótica representa um avanço importante para pacientes com indicação de tratamento cirúrgico. A técnica permite maior precisão e pode favorecer a preservação de estruturas relacionadas ao controle urinário e à função erétil.
O especialista também ressaltou que houve avanços no tratamento de pacientes com doença avançada ou metastática. Atualmente, existem alternativas terapêuticas que permitem controlar a doença, aliviar sintomas e proporcionar melhor qualidade de vida, inclusive em situações que antes apresentavam poucas opções de tratamento.
Cuidado deve acontecer durante todo o ano
Para o urologista, o Novembro Azul é uma oportunidade de quebrar preconceitos, combater a desinformação e incentivar os homens a procurarem atendimento. No entanto, ele reforça que os cuidados com a saúde não devem ficar restritos ao mês de novembro.
Cerqueira recomenda que os homens reservem um período do ano para realizar avaliações médicas e acompanhar não apenas a saúde da próstata, mas também outras condições que podem comprometer a qualidade de vida.
A principal mensagem é que informação, prevenção de fatores de risco e acompanhamento profissional são fundamentais. Conversar com o urologista e avaliar individualmente a necessidade dos exames pode fazer diferença no diagnóstico e nas possibilidades de tratamento.
Comentários (0)