Dia de Finados | Dom Zanoni Demettino Castro | Dom Zanoni destaca fé, memória e esperança no Dia de Finados

Arcebispo de Feira de Santana ressalta a importância da oração pelos falecidos e afirma que a fé cristã ajuda a enfrentar a dor da perda com esperança na ressurreição

Dia de Finados | Dom Zanoni Demettino Castro | Dom Zanoni destaca fé, memória e esperança no Dia de Finados
📷Reprodução

O Dia de Finados, celebrado neste 2 de novembro, é um momento de saudade, oração e reflexão sobre a vida e a morte. Para a Igreja Católica, a data convida os fiéis a recordar aqueles que partiram, agradecer pelas histórias compartilhadas e renovar a esperança na vida eterna.

Arcebispo, Dom Zanoni 📷Yasmim Mota Demettino Castro

Em entrevista, Dom Zanoni Demettino Castro, arcebispo de Feira de Santana, destacou o significado religioso da celebração e o papel da fé no enfrentamento do luto.

“Sentimos falta daqueles que amamos porque suas vidas continuam presentes em nossa memória e em nosso coração. A fé não elimina toda a separação, mas ilumina essa dor com a esperança da ressurreição”, afirmou.

Tradição de oração pelos falecidos

Segundo Dom Zanoni, a oração pelos mortos faz parte da tradição cristã desde os primeiros séculos. Ele explicou que, no ano de 998, Santo Odilo, abade do mosteiro beneditino de Cluny, na França, estabeleceu uma jornada especial de oração pelos falecidos em 2 de novembro. Com o passar do tempo, a celebração se difundiu pela Igreja Católica.

O arcebispo também ressaltou a ligação entre o Dia de Finados e a Solenidade de Todos os Santos, celebrada em 1º de novembro. Enquanto a primeira data é dedicada à oração pelos fiéis falecidos, a segunda recorda aqueles que, segundo a fé católica, já estão na glória de Deus.

“São duas celebrações que expressam a mesma verdade: a comunhão dos santos. Em Cristo, estamos unidos àqueles que já chegaram à casa do Pai e também àqueles que aguardam a plena purificação”, explicou.

Visitas aos cemitérios e memória afetiva

A visita aos cemitérios, o oferecimento de flores e as orações são práticas que fazem parte da tradição religiosa e cultural de muitas famílias. Para Dom Zanoni, esses gestos representam uma forma de preservar a memória e expressar gratidão pela vida daqueles que deixaram saudade.

O religioso destacou que o Dia de Finados não deve ser visto apenas como uma data de tristeza, mas também como uma oportunidade de reconhecer os vínculos afetivos que permanecem vivos na memória e na fé.

Ressurreição e vida eterna

Ao falar sobre os ensinamentos da Igreja Católica a respeito da vida após a morte, Dom Zanoni afirmou que a existência humana tem limites, mas encontra sua plenitude em Deus.

“Celebrar o Dia de Finados é celebrar a nossa finitude e a salvação em Cristo Jesus”, declarou.

O arcebispo também chamou a atenção para a importância de viver de maneira comprometida com a solidariedade e a comunhão, sem colocar a riqueza, o dinheiro e o poder acima das relações humanas.

Segundo ele, a esperança cristã está ligada não apenas à promessa da vida eterna, mas também à construção de uma sociedade mais justa, com defesa da vida, cuidado com os pobres e compromisso com a fraternidade.

Fé como apoio no enfrentamento do luto

Sobre a dor provocada pela perda de uma pessoa querida, Dom Zanoni destacou que a fé pode ajudar a encontrar sentido mesmo nos momentos mais difíceis. Ele lembrou que a mensagem de Jesus está associada à promoção da vida, à justiça e ao cuidado com o próximo.

O arcebispo também ressaltou a responsabilidade das famílias na formação das crianças, inclusive ao abordar a morte e o luto. Para ele, os ensinamentos religiosos devem ser transmitidos não apenas por palavras, mas principalmente pelo exemplo.

“Hoje, o mundo não aceita mais qualquer palavra de verdades impostas. Aceita, sim, o testemunho”, afirmou, ao destacar a importância de homens e mulheres que atuam em defesa da vida, da justiça e da fraternidade.

Mensagem de esperança às famílias

Ao final da entrevista, Dom Zanoni deixou uma mensagem de conforto para as famílias que enfrentam a saudade neste Dia de Finados. Inspirado na mensagem evangélica de manter as lâmpadas acesas, o arcebispo defendeu que as pessoas não permitam que a indiferença, o egoísmo e o desânimo enfraqueçam a capacidade de amar.

“Que a última palavra sobre a existência humana não pertença à morte, mas ao Deus da vida”, concluiu.

Comentários (0)