Pesquisas eleitorais | Economia brasileira | Amarildo Gomes analisa pesquisas eleitorais, virada de Lula e desafios econômicos do próximo governo
Em entrevista ao programa Levante a Voz, o economista Marildo Gomes explicou as diferenças entre intenção de voto e resultado das urnas, destacou o peso das campanhas no segundo turno e defendeu o equilíbrio das contas públicas.
O economista e professor Amarildo Gomes analisou, em entrevista ao programa Levante a Voz, os resultados das eleições presidenciais de 2026, as diferenças entre as pesquisas de intenção de voto e o resultado das urnas, além dos desafios econômicos e políticos para o próximo governo. Na avaliação do entrevistado, as pesquisas não devem ser consideradas desacreditadas quando apresentam cenários de empate técnico, já que as intenções de voto podem mudar até o dia da votação.
Ao comentar os resultados na Bahia e no cenário nacional, Amarildo argumentou que os levantamentos eleitorais representam um retrato do momento em que as entrevistas são realizadas. Segundo ele, a definição do resultado depende da votação efetiva e de fatores que podem alterar as escolhas dos eleitores na reta final da campanha.
“Só as urnas decidem 100%. O instituto aproxima a verdade para que os eleitores conheçam um pouco mais da verdade, mas a verdade 100% só depois das urnas”, afirmou.
Pesquisas eleitorais e a mudança de cenário
O professor citou o crescimento de Jerônimo Rodrigues na Bahia durante a última semana de campanha e atribuiu parte desse movimento à mobilização de lideranças políticas municipais. Segundo ele, a atuação de prefeitos e aliados no interior do estado contribuiu para ampliar o apoio ao candidato.
Na disputa presidencial, Amarildo avaliou que a campanha de Lula ganhou força no segundo turno, especialmente pela mobilização nas ruas e nas redes sociais. Para o economista, a estratégia petista conseguiu ampliar o diálogo com eleitores que, no primeiro turno, haviam escolhido outros candidatos ou demonstrado preferência por alternativas diferentes.
O entrevistado também destacou que a percepção de risco em relação à continuidade da família Bolsonaro no poder teria influenciado parte do eleitorado. Na análise dele, o receio de mudanças políticas e de possíveis impactos sobre benefícios sociais e direitos contribuiu para que alguns eleitores revissem suas posições.
Amarildo ressaltou que as pesquisas não conseguem antecipar todas essas mudanças, sobretudo quando a disputa está tecnicamente equilibrada. Ele lembrou que os levantamentos divulgados nos últimos dias antes da votação indicavam uma diferença pequena entre os candidatos, dentro das margens de erro apresentadas pelos institutos.
Estratégias de campanha e influência das redes sociais
Na avaliação do economista, a campanha de Lula apresentou maior capacidade de mobilização no segundo turno, enquanto Flávio Bolsonaro cometeu erros de comunicação que foram explorados pelos adversários.
Amarildo citou declarações relacionadas à possibilidade de cortes no orçamento público como exemplo de mensagens que poderiam gerar preocupação entre os eleitores, principalmente entre aqueles que temiam perder benefícios sociais ou direitos.
Para ele, a repercussão dessas declarações contribuiu para ampliar a insegurança de parte do eleitorado em relação às propostas da campanha adversária. O professor também destacou o papel das redes sociais na divulgação de críticas, na circulação de informações e na formação da opinião pública durante a disputa.
Apesar de apontar problemas na estratégia de Flávio Bolsonaro, Amarildo ponderou que o governo Lula também apresenta falhas. Segundo ele, sua avaliação sobre o resultado eleitoral considera o conjunto de fatores políticos, econômicos e sociais que influenciaram a decisão dos eleitores.
O economista afirmou ainda que não esperava uma diferença tão expressiva no resultado final, embora já identificasse sinais de crescimento de Lula nos últimos dias da campanha.
Equilíbrio das contas públicas é desafio econômico
Ao abordar os desafios do próximo governo, Amarildo defendeu o equilíbrio entre receitas e despesas públicas. Segundo ele, a administração federal precisa controlar os gastos e evitar a ampliação contínua de despesas sem a correspondente previsão de recursos.
O professor comparou a gestão do orçamento público à administração financeira de uma família, que precisa adequar os gastos à renda disponível. Na avaliação dele, o desequilíbrio fiscal pode aumentar a desconfiança dos investidores, dificultar a entrada de capital estrangeiro e comprometer o ambiente de negócios.
“É preciso um governo equilibrar as contas”, afirmou.
Amarildo destacou que o Brasil precisa atrair investimentos nacionais e internacionais para ampliar a atividade produtiva, fortalecer as empresas e estimular o desenvolvimento econômico. Para ele, a falta de controle das contas públicas pode contribuir para pressões inflacionárias e juros elevados, com consequências para empresas, trabalhadores e consumidores.
O economista também defendeu que a criação ou ampliação de benefícios sociais considere a disponibilidade orçamentária. Na avaliação dele, as políticas públicas precisam ser acompanhadas de planejamento financeiro para evitar o agravamento do desequilíbrio fiscal.
Segurança pública e o papel do Congresso Nacional
Outro tema abordado durante a entrevista foi a segurança pública. Amarildo defendeu maior rigor no cumprimento das penas previstas em lei e afirmou que a população precisa compreender melhor as atribuições dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.
Segundo o professor, o Congresso Nacional tem a responsabilidade de elaborar e modificar as leis, enquanto o Judiciário atua no julgamento dos processos e o Executivo deve cumprir as normas em vigor, dentro de suas competências.
Na avaliação dele, o debate sobre criminalidade precisa considerar a participação dos parlamentares na elaboração da legislação penal, sem atribuir exclusivamente ao governo federal responsabilidades que dependem de decisões de outros Poderes.
Amarildo ressaltou que a compreensão dessas atribuições permite à população cobrar medidas dos agentes públicos responsáveis por cada área.
A entrevista terminou com a defesa de maior responsabilidade na gestão das contas públicas, da atração de investimentos e da compreensão sobre o funcionamento das instituições democráticas.
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