Estiagem | Agricultura familiar | Seca compromete produção agrícola e ameaça rebanhos na zona rural de Feira de Santana

Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Adriana Lima, relata perdas na lavoura, falta de pastagem e dificuldades de acesso à água; entidade cobra assistência aos agricultores familiares

Estiagem | Agricultura familiar | Seca compromete produção agrícola e ameaça rebanhos na zona rural de Feira de Santana
📷 Divulgação

A longa estiagem tem provocado prejuízos à produção agrícola e agravado as dificuldades enfrentadas por famílias e criadores de animais na zona rural de Feira de Santana. Segundo a presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais do município, Adriana Lima, a falta de chuvas comprometeu o plantio, reduziu a disponibilidade de pastagem e deixou lagoas sem água em diversas comunidades.


Em entrevista, Adriana afirmou que a situação afeta praticamente todos os distritos rurais, com exceção de Humildes, que, segundo ela, apresenta condições relativamente menos críticas por estar localizado em uma região com características climáticas diferentes.

De acordo com a dirigente sindical, muitos agricultores não conseguiram preparar o solo para o plantio devido à escassez de chuvas. Outros chegaram a plantar, mas perderam a produção por falta de umidade suficiente para o desenvolvimento das lavouras.

“Poucas pessoas tiveram alguma produção no meio rural”, relatou.

Falta de água e alimento afeta animais

Além das perdas agrícolas, a escassez de pastagem tem dificultado a criação de animais. Segundo Adriana Lima, há comunidades em que os rebanhos enfrentam falta de alimentação, com relatos de animais morrendo em decorrência das condições adversas.

A presidente do sindicato defende a adoção de medidas emergenciais para garantir alimentação aos rebanhos, especialmente por meio da aquisição e distribuição de ração animal.

Outra reivindicação é ampliar o abastecimento de água para as famílias rurais que enfrentam dificuldades para manter as necessidades básicas do dia a dia.

Embora parte da zona rural tenha acesso à rede de abastecimento, a sindicalista afirma que o fornecimento não chega de maneira regular a todas as comunidades. Famílias sem reservatórios adequados enfrentam dificuldades adicionais para armazenar água quando o abastecimento acontece.

Sindicato cobra assistência do poder público

Adriana Lima afirmou que o sindicato vem encaminhando documentos, participando de reuniões e cobrando providências dos órgãos responsáveis desde o início do ano. Segundo ela, porém, as medidas solicitadas ainda não chegaram de maneira suficiente aos agricultores familiares.

A dirigente reconheceu a realização de visitas da Defesa Civil a comunidades afetadas, mas defendeu que o acompanhamento técnico seja acompanhado de ações práticas.

Entre as principais reivindicações estão a distribuição de ração para os animais, a ampliação do abastecimento por caminhões-pipa e a instalação de cisternas para famílias que não dispõem de reservatórios para armazenar água.

“Precisamos de abastecimento das famílias e de reservatórios, que a gente chama de cisternas, para que essas famílias tenham condições de manter a vida de pé”, afirmou.

Chuvas recentes não aliviam a situação

Apesar dos registros de chuva em algumas localidades nos últimos dias, Adriana avalia que os volumes foram insuficientes para melhorar as condições do campo.

Segundo ela, a precipitação ocorreu principalmente na forma de chuviscos, sem umidade suficiente para recuperar as lavouras ou favorecer o crescimento da pastagem. A sindicalista também destacou que a chuva não alcançou todas as comunidades.

A expectativa por precipitações mais intensas continua, mas a situação exige medidas que não dependam exclusivamente das condições climáticas.

Produtores aguardam medidas emergenciais

Diante das dificuldades, o Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais afirma que continuará cobrando ações dos governos municipal e estadual para reduzir os prejuízos e garantir condições de permanência das famílias no campo.

A principal preocupação é assegurar água para consumo humano e animal, além de alimentação para os rebanhos e condições para que os agricultores familiares possam retomar a produção quando houver condições climáticas favoráveis.

As reivindicações apresentadas pela entidade reforçam a necessidade de verificar, junto à Prefeitura e ao Governo do Estado, quais medidas emergenciais estão efetivamente em execução, quantas famílias já foram atendidas e quais recursos serão destinados ao enfrentamento da estiagem.

Comentários (0)