Deivyd Bacelar | Câmara de Feira de Santana | Deivyd Bacelar afirma que dois vereadores ofereceram apoio eleitoral em troca de votos e critica reação da Câmara de Feira

Candidato a deputado federal diz ter recebido propostas de parlamentares que não conseguiram a reeleição em 2024, questiona medidas anunciadas por Marcos Lima e defende reforma política

Deivyd Bacelar | Câmara de Feira de Santana | Deivyd Bacelar afirma que dois vereadores ofereceram apoio eleitoral em troca de votos e critica reação da Câmara de Feira
📷Onildo Rodrigues

O candidato a deputado federal Deivyd Bacelar afirmou que recebeu propostas de dois vereadores de Feira de Santana, ainda durante a pré-campanha de 2024, para obter apoio político com a expectativa de reunir votos em suas respectivas bases eleitorais. Segundo ele, um dos parlamentares teria estimado conseguir 1.500 votos, enquanto o outro teria mencionado 2 mil votos. Bacelar declarou que recusou as propostas e preferiu construir sua campanha por meio do contato direto com os eleitores.

A declaração foi feita em entrevista ao jornalista Onildo Rodrigues, na qual o candidato também comentou o resultado das eleições, a ausência de representantes de Feira de Santana na Câmara dos Deputados e a decisão do presidente da Câmara Municipal, Marcos Lima, de encaminhar o caso à Procuradoria-Geral da Casa para avaliar possíveis medidas judiciais.

Deivyd Bacelar esclareceu que, em sua avaliação, as conversas não devem ser classificadas como compra de votos, mas como propostas de apoio político vinculadas à expectativa de votação. Ele afirmou que os dois parlamentares citados ainda exerciam mandato na época das conversas, mas não conseguiram se reeleger em 2024. O candidato optou por não divulgar os nomes.

“Não se trata de compra de voto. Se trata do apoio político que, às vezes, aquele vereador ou ex-vereador pede, garantindo ali na base eleitoral dele, como se fosse um curral eleitoral, 1.500 votos e o outro 2.000 votos”, declarou.

Segundo Bacelar, ele não aceitou trabalhar dessa maneira e defendeu uma campanha baseada no diálogo com a população. O candidato afirmou que preferia visitar os bairros, conversar com moradores, apresentar propostas e organizar reuniões para conquistar apoio eleitoral.

Resultado nas urnas

Ao avaliar o desempenho eleitoral, Deivyd Bacelar afirmou ter recebido 54.793 votos em sua primeira candidatura a deputado federal. De acordo com ele, a votação foi distribuída por 386 dos 417 municípios baianos.

Em Feira de Santana, cidade onde nasceu e foi criado, o candidato disse ter obtido quase 10 mil votos. Em Salvador, segundo o relato, ultrapassou a marca de 3 mil votos.

Bacelar avaliou o resultado de forma positiva, considerando a disputa com candidatos que já possuem mandatos e estruturas políticas mais consolidadas. Para ele, o desempenho demonstra que existe espaço para ampliar a participação de candidaturas ligadas aos trabalhadores e aos movimentos populares.

O candidato também lamentou que Feira de Santana não tenha eleito um deputado federal diretamente ligado ao município e defendeu maior participação de representantes locais no Congresso Nacional.

Reação de Marcos Lima

Questionado sobre o anúncio de medidas judiciais pelo presidente da Câmara Municipal, Marcos Lima, Deivyd Bacelar afirmou estar acompanhando o caso e disse ter ficado surpreso com a reação do dirigente do Legislativo.

O presidente da Câmara informou que encaminhou a situação à Procuradoria-Geral da Casa após as declarações de Bacelar sobre uma suposta oferta de R$ 300 mil em troca da garantia de 1.500 votos. Marcos Lima cobrou a identificação do vereador mencionado e a apresentação de provas que sustentem a acusação.

Bacelar criticou a iniciativa e questionou se a Procuradoria da Câmara deveria ser utilizada para adotar medidas contra ele. Na entrevista, também sugeriu que o órgão concentrasse sua atuação em questões relacionadas ao funcionamento do Legislativo municipal, citando a demora na conclusão das obras do anexo da Câmara.

O candidato classificou a reação como uma possível perseguição política e afirmou que está disposto a apresentar sua defesa caso seja formalmente acionado.

“Se o senhor abrir o processo, nós estaremos aí dispostos a responder nos autos do processo, a ter a nossa defesa e esclarecer tudo o que for preciso”, afirmou.

Até o momento, os nomes dos dois vereadores mencionados por Bacelar não foram divulgados por ele. A acusação permanece sem comprovação pública apresentada na entrevista, e a apuração depende da análise de eventuais documentos, testemunhos e outros elementos que possam esclarecer as circunstâncias das conversas.

Críticas a apoios políticos e defesa de representantes locais

Durante a entrevista, Bacelar também questionou as escolhas de apoio eleitoral feitas por vereadores de Feira de Santana nas eleições de 2026. Ele defendeu que os parlamentares municipais priorizem candidaturas da própria cidade, argumentando que a eleição de representantes locais poderia ampliar a articulação política em favor do município.

O candidato citou os apoios ao deputado federal Dal Barreto e questionou por que determinadas lideranças não apoiaram nomes ligados a Feira de Santana. Também fez referências a investigações envolvendo Dal Barreto e à Operação Carbono Oculto.

As referências a investigações foram apresentadas pelo próprio entrevistado e não constituem, por si só, comprovação de responsabilidade criminal.

Bacelar ainda elogiou uma iniciativa atribuída ao vereador Edvaldo Lima, relacionada à utilização de mangueiras transparentes em postos de combustíveis, com o objetivo de facilitar a identificação visual de possíveis alterações no produto. Ele defendeu o diálogo entre representantes de diferentes partidos para enfrentar problemas da cidade.

Candidato defende reforma política

Na avaliação de Deivyd Bacelar, o modelo eleitoral brasileiro favorece a influência do poder econômico e contribui para a manutenção de estruturas políticas tradicionais. Por isso, defendeu uma reforma política que fortaleça os partidos e altere a dinâmica das disputas eleitorais.

Entre as propostas citadas estão eleições a cada cinco anos, o fim da reeleição para cargos do Executivo e a adoção do voto em lista. Para o candidato, mudanças desse tipo poderiam reduzir a dependência de estruturas financeiras e ampliar as condições de disputa entre candidaturas.

Bacelar também criticou a frequência das eleições e afirmou que o atual sistema favorece a repetição de acordos políticos e eleitorais.

Prioridade agora é o segundo turno presidencial

Ao falar sobre os próximos passos após a eleição para deputado federal, Deivyd Bacelar afirmou que sua prioridade é trabalhar pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno.

Segundo ele, a estratégia inclui visitas a portas de fábricas em Feira de Santana e em outras cidades baianas, com conversas com trabalhadores sobre as diferenças entre os governos Lula e Jair Bolsonaro.

O candidato também afirmou que pretende atuar no combate à desinformação durante a campanha eleitoral, incentivando os eleitores a verificar a origem das informações recebidas, especialmente por aplicativos de mensagens.

Bacelar encerrou a entrevista agradecendo o espaço e ressaltando a importância da imprensa livre para a preservação da democracia.

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