Zé Neto | Eleições 2026 | Zé Neto atribui derrota eleitoral à ausência na base e admite dificuldades na articulação política fora de Feira
Em entrevista ao Jornal TransBrasil, deputado federal que recebeu 104.550 votos e ficou como primeiro suplente da federação PT, PCdoB e PV comentou a redução da votação, avaliou o cenário político local e falou sobre seus planos para o futuro.
O deputado federal Zé Neto (PT) atribuiu a redução de sua votação nas eleições de 2026, em comparação com o pleito anterior, principalmente à distância de sua base política durante parte do mandato e às dificuldades de articulação fora de Feira de Santana. Em entrevista ao Jornal TransBrasil, com Carlos Geilson, o parlamentar afirmou que permaneceu concentrado em Brasília, onde participou das discussões sobre a regulamentação da reforma tributária, e reconheceu que poderia ter trabalhado melhor a destinação de recursos e o relacionamento político com municípios do interior.
Zé Neto recebeu 104.550 votos em todo o estado, dos quais 59.127 foram registrados em Feira de Santana, sua principal base eleitoral. Apesar da votação, ele não conseguiu renovar o mandato e terminou como primeiro suplente da Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV.

Zé Neto (deputado federal) 📷Onildo Rodrigues
Ao avaliar o resultado, o deputado afirmou que sua atuação no Congresso Nacional exigiu dedicação a pautas que considerou importantes para a economia brasileira, especialmente a reforma tributária e sua regulamentação. Segundo ele, esse envolvimento reduziu sua presença nas articulações políticas municipais e regionais.
“Eu fiquei muito preso em Brasília porque a reforma tributária não era um assunto qualquer”, declarou.
O parlamentar também reconheceu dificuldades na condução de questões relacionadas às emendas parlamentares, especialmente no que diz respeito à execução dos recursos fora de sua principal base eleitoral. Para ele, esse foi um dos fatores que contribuíram para a redução de sua votação em outras regiões da Bahia.
Votação em Feira e articulação regional
Durante a entrevista, Zé Neto destacou o desempenho eleitoral em Feira de Santana e afirmou que manteve uma votação expressiva no município, mesmo diante da atuação de adversários políticos.
O deputado também comentou que a eleição municipal de 2024 exigiu grande dedicação à cidade, o que teria limitado sua participação nas articulações em outros municípios baianos. Segundo ele, a equipe passou por mudanças, e a reorganização interna também dificultou a manutenção de uma estrutura política mais ampla no estado.
Questionado sobre a dificuldade de transformar o trabalho parlamentar em votos, o petista admitiu que a atuação em Brasília nem sempre se converte em reconhecimento eleitoral na base.
“Tem algumas nuances relacionadas a emendas que talvez eu não tenha sabido traquear no sentido de como fazer com que elas chegassem lá na ponta, principalmente fora da região, adequadamente”, afirmou.
Zé Neto também ressaltou o crescimento de candidaturas ligadas ao seu campo político em Feira de Santana. Entre os nomes citados por ele estão David Leal, Marighella e representantes do PCdoB. Na avaliação do deputado, o desempenho dessas candidaturas demonstra que o grupo manteve espaço político no município, apesar de ele próprio não ter conquistado a reeleição.
Futuro político ainda sem definição
Sobre a possibilidade de assumir uma secretaria no governo da Bahia ou retornar à Câmara dos Deputados, caso surja uma oportunidade em razão de mudanças na composição parlamentar, Zé Neto afirmou que ainda não definiu os próximos passos.
O deputado declarou que, naquele momento, sua prioridade era atuar na campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições presidenciais.
“Eu não tenho que escolher nada. Cada momento tem sua aflição e cada momento também tem sua delícia”, disse.
Ele também evitou confirmar uma eventual candidatura à Prefeitura de Feira de Santana em uma próxima eleição. Segundo o parlamentar, qualquer decisão dependerá das circunstâncias políticas e das definições coletivas de seu grupo.
Zé Neto afirmou que pretende continuar atuando politicamente, independentemente de ocupar ou não um mandato eletivo. Ao final da entrevista, agradeceu aos eleitores de Feira de Santana e destacou sua ligação com o município.
Deputado defende investimentos federais em Feira de Santana
Durante a conversa, o parlamentar também apresentou sua avaliação sobre a importância dos investimentos federais para o desenvolvimento de Feira de Santana. Entre os exemplos citados estão as obras de infraestrutura viária e os empreendimentos habitacionais vinculados ao programa Minha Casa, Minha Vida.
Zé Neto defendeu o projeto de intervenções na BR-324 e afirmou que o diálogo com o governo federal permitiu incluir melhorias que, segundo ele, podem beneficiar as comunidades próximas à rodovia, como passarelas, ciclovias e estruturas de mobilidade.
O deputado também criticou intervenções viárias anteriores, argumentando que algumas obras ampliaram a capacidade de circulação de veículos, mas não atenderam adequadamente às necessidades de integração urbana e social das comunidades do entorno.
Ao abordar a habitação, ele destacou a quantidade de unidades habitacionais que, segundo seus dados, foram destinadas a Feira de Santana nos últimos anos. Os números mencionados durante a entrevista não foram acompanhados de documentos apresentados à reportagem.
Cenário político e eleições
Na avaliação de Zé Neto, o resultado eleitoral em Feira de Santana deve ser analisado considerando o desempenho de todo o grupo político, e não apenas a votação individual dos candidatos. Ele também afirmou que pretende continuar contribuindo para a articulação de seu campo político no município e na Bahia.
O deputado encerrou a entrevista agradecendo os votos recebidos e reafirmando o compromisso de continuar atuando em defesa de Feira de Santana.
Apesar de não ter conquistado a reeleição, Zé Neto permanece como primeiro suplente da federação pela qual disputou a vaga. Uma eventual volta à Câmara dos Deputados dependerá de mudanças na ocupação das cadeiras parlamentares e das regras aplicáveis à suplência.
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