Mercado de trabalho | Qualificação profissional | Falta de qualificação e experiência dificulta contratação em Feira de Santana, afirma diretor da Casa do Trabalhador

Segundo Magno Felsenburgh, o município registra ofertas frequentes de emprego, mas setores como construção civil, supermercados, farmácias e oficinas enfrentam dificuldades para encontrar profissionais; cursos gratuitos são alternativas para quem busca uma oportunidade.

Mercado de trabalho | Qualificação profissional | Falta de qualificação e experiência dificulta contratação em Feira de Santana, afirma diretor da Casa do Trabalhador
📷 Gabriel Calazans

Conseguir um emprego continua sendo um desafio para muitos trabalhadores, enquanto empresas enfrentam dificuldades para preencher vagas em diferentes áreas. Em Feira de Santana, a falta de experiência comprovada em carteira e de qualificação profissional está entre os principais obstáculos para aproximar candidatos e empregadores.

Em entrevista à reportagem, o diretor da Casa do Trabalhador de Feira de Santana, Magno Felsenburgh, explicou que o município mantém uma oferta frequente de oportunidades, impulsionada pelo movimento dos setores de serviços, comércio, indústria e construção civil.

Segundo o diretor, a unidade costuma registrar mais de 200 vagas de emprego por dia. Ele também destacou que os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), referentes a agosto, apontaram saldo positivo na geração de empregos nos setores econômicos do município.

Apesar desse cenário, a dificuldade para encontrar profissionais com o perfil exigido pelas empresas continua sendo um entrave para as contratações.

Experiência profissional é um dos principais obstáculos

De acordo com Magno Felsenburg, muitas empresas exigem qualificação específica e experiência comprovada em carteira, o que dificulta o ingresso de trabalhadores que estão em busca do primeiro emprego ou tentando mudar de área.

O diretor afirma, no entanto, que algumas empresas começaram a flexibilizar as exigências e a investir na capacitação dos próprios funcionários, contratando pessoas sem experiência e oferecendo treinamento no ambiente de trabalho.

“De um lado, a empresa precisa do trabalhador. Do outro, o trabalhador quer entrar no mercado, mas não tem qualificação nem experiência em carteira. A gente já percebe que está se encontrando um meio-termo, com empresas flexibilizando as exigências ou qualificando o trabalhador”, explicou.

A iniciativa pode ampliar as oportunidades para quem ainda não conseguiu construir um histórico profissional, desde que o candidato demonstre disposição para aprender e desenvolver as competências necessárias à função.

Construção civil, supermercados e oficinas enfrentam dificuldades

Entre as áreas que apresentam dificuldades para contratar profissionais em Feira de Santana estão a construção civil, os supermercados, as farmácias e as oficinas mecânicas.

Segundo o diretor da Casa do Trabalhador, a expansão das atividades econômicas aumenta a procura por trabalhadores em determinadas funções. Na construção civil, por exemplo, há demanda por pedreiros. Já no comércio e nos serviços, algumas empresas encontram dificuldades para contratar operadores de caixa, padeiros e mecânicos.

Magno avalia que o crescimento de empreendimentos e a presença de grandes redes comerciais no município contribuem para aumentar a necessidade de mão de obra.

O cenário evidencia um descompasso entre as vagas disponíveis e o perfil dos candidatos que procuram emprego, especialmente quando as empresas estabelecem exigências de experiência e formação específicas.

Cursos gratuitos podem ampliar oportunidades

Para quem deseja ingressar no mercado de trabalho ou melhorar o currículo, a qualificação profissional é apontada como uma das alternativas para aumentar as chances de contratação.

Magno Felsenburgh destacou que existem opções gratuitas de formação, tanto presenciais quanto pela internet. Segundo ele, a Casa do Trabalhador participa de iniciativas de qualificação ao longo do ano e busca aproximar os candidatos das empresas.

Entre as alternativas citadas estão cursos oferecidos por instituições do Sistema S, como Senai, Sesc e Senat, além de plataformas de capacitação profissional e iniciativas do Ministério do Trabalho e Emprego, como o Trabalhador 4.0.

O diretor ressaltou que os cursos on-line podem facilitar o acesso à formação, especialmente para pessoas que precisam conciliar os estudos com outras atividades.

Além de buscar qualificação, a orientação é que os candidatos mantenham o currículo atualizado e procurem oportunidades compatíveis com suas habilidades, inclusive vagas que não exigem experiência anterior.

Benefícios sociais e trabalho formal

Durante a entrevista, Magno também comentou o debate sobre a relação entre benefícios sociais e a procura por empregos com carteira assinada.

Na avaliação do diretor, as políticas públicas precisam ser ajustadas à realidade econômica das famílias, considerando o custo de vida e a necessidade de garantir condições adequadas de sobrevivência.

Ele argumentou que, em determinadas situações, trabalhadores podem considerar mais vantajoso combinar benefícios sociais com atividades informais ou serviços pagos por diária do que assumir um emprego formal.

Magno defendeu uma discussão sobre os critérios dessas políticas, especialmente no apoio às famílias com crianças em idade escolar. Para ele, é importante encontrar alternativas que não desestimulem a formalização do trabalho.

O diretor também chamou a atenção para as consequências da informalidade, como a ausência de contribuições previdenciárias e a falta de acesso a direitos trabalhistas vinculados ao emprego formal, entre eles o FGTS e o seguro-desemprego, quando aplicáveis.

A relação entre benefícios sociais e emprego formal, porém, envolve diferentes fatores econômicos e sociais e exige análise das regras de cada programa, das condições salariais e da realidade de cada trabalhador.

Desafio exige participação de empresas e trabalhadores

O cenário apresentado pela Casa do Trabalhador mostra que a dificuldade de contratação não depende exclusivamente da quantidade de vagas disponíveis. A qualificação exigida, a experiência profissional e as condições oferecidas pelas empresas também influenciam o acesso ao emprego.

Nesse contexto, a ampliação dos cursos gratuitos, a flexibilização de exigências para candidatos iniciantes e o investimento das empresas na formação profissional podem ajudar a aproximar trabalhadores e empregadores.

Para quem busca uma oportunidade em Feira de Santana, acompanhar as vagas divulgadas pela Casa do Trabalhador e investir na capacitação são caminhos para melhorar as possibilidades de inserção no mercado.

Serviço: Os interessados podem procurar a Casa do Trabalhador de Feira de Santana para obter informações sobre vagas disponíveis, encaminhamento para processos seletivos e oportunidades de qualificação profissional.

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