Feira de Santana | Sapateiros | Sapateiros preservam tradição de décadas e ajudam a contar a história de Feira de Santana
Em meio às mudanças no comércio e à industrialização dos calçados, profissionais mantêm vivo um ofício tradicional no centro da cidade
mês em que Feira de Santana comemora 193 anos de emancipação, histórias de trabalhadores que ajudaram a construir a identidade comercial da cidade também ganham destaque. Entre elas está a dos sapateiros que, há décadas, mantêm a atividade nas ruas do centro e transformam o trabalho manual em uma tradição passada entre gerações.

Paulo Araújo Beirão (Sapateiro) Onildo Rodrigues
Em frente à Prefeitura Municipal, o sapateiro Paulo Araújo Beirão representa uma dessas histórias. Ele chegou a Feira de Santana em 1962 e começou a trabalhar com a atividade no ano seguinte. São mais de seis décadas de relação com o ofício.
Paulo conta que, quando começou, praticamente não sabia trabalhar com o conserto de calçados. Foi observando outros profissionais e aprendendo com os colegas que desenvolveu a profissão.
“Quando eu cheguei nessa atividade aqui, eu não sabia dar um prego no sapato. Fui nos colegas, conversando, e fui aprendendo.”
Ao longo dos anos, Paulo construiu sua trajetória no mesmo espaço e acompanhou de perto as transformações do centro de Feira de Santana. Para ele, a profissão continua baseada principalmente na dedicação e no trabalho diário.
Mesmo com o avanço da indústria calçadista e a facilidade para comprar produtos novos, ainda existe espaço para quem precisa recuperar um sapato, uma bolsa ou outro item de couro.
Além da experiência, Paulo também tem uma preocupação com a continuidade da profissão. Atualmente, ele conta com a ajuda de jovens que aprenderam o ofício ao seu lado.

Lenilson de Jesus Santos 📸Onildo Rodrigues
Um deles é Lenilson de Jesus Santos, que conheceu Paulo quando ainda era adolescente. Ele conta que começou a se interessar pela profissão aos 13 anos, quando morava em Salvador, e encontrou em Feira de Santana a oportunidade de aprender na prática.
“Quando eu vim pra cá, eu sabia poucas coisas. A maioria da prática eu peguei aqui com ele.”
Para Lenilson, manter a atividade significa ajudar a preservar uma profissão antiga que ainda encontra espaço no cotidiano da cidade.

Carlos Marcos Oliveira 📸Onildo Rodrigues
Outro profissional que segue essa trajetória é Carlos Marcos Oliveira Júnior, conhecido como Binha Sapateiro. Ele também aprendeu o ofício com Paulo. Antes de trabalhar com os consertos, atuava como carregador no centro da cidade.
Binha conta que pediu uma oportunidade a Paulo e, a partir daí, começou a aprender a profissão.
Hoje, ele considera o trabalho uma importante fonte de sustento.
“Aqui é onde a gente tira o pão de cada dia.”
Segundo Binha, a procura pelos serviços continua e a expectativa dos profissionais é que as melhorias na região contribuam para a atividade comercial.
A modernização da área onde os sapateiros trabalham também é acompanhada de perto pelos profissionais. Eles destacam melhorias na estrutura, como a instalação de banheiros e pontos de energia, e esperam que a reorganização do espaço proporcione melhores condições de trabalho.
Mais do que consertar calçados, esses trabalhadores carregam histórias de décadas. São profissionais que acompanharam o crescimento de Feira de Santana, viram o comércio se transformar e continuam ocupando um espaço importante na memória do centro da cidade.
No aniversário de 193 anos de Feira de Santana, a história dos sapateiros mostra que a identidade comercial do município também é construída pelas mãos de trabalhadores que, geração após geração, mantêm vivo um ofício tradicional.
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