História de Feira de Santana | Feira Livre | Feira de Santana; 193 anos: Uma cidade que nasceu dos caminhos, do comércio e dos encontros
Historiador Cal Lima destaca a importância dos antigos caminhos, da feira livre e da circulação de pessoas e mercadorias na formação da identidade de Feira de Santana
Feira de Santana completa 193 anos de emancipação política nesta sexta-feira (18). Muito antes de se tornar um dos principais entroncamentos rodoviários do país, o município já tinha nos caminhos, na circulação de pessoas e no comércio as bases de sua formação histórica.
A trajetória da cidade está diretamente ligada à sua localização estratégica. Segundo o historiador Cal Lima, a vocação de Feira de Santana como lugar de passagem e encontro remonta aos primeiros períodos de povoamento da região, ainda no Brasil Colonial.
De acordo com o historiador, antigos caminhos que cortavam o território, como a Estrada Boiadeira e a Estrada Real, favoreceram a circulação de pessoas e mercadorias e contribuíram para consolidar uma característica que permanece presente na identidade do município.
“Ser passagem, ser uma cidade de troca, ser uma cidade de circulação é a verdadeira identidade de Feira de Santana”, destacou Cal Lima durante entrevista.
A FEIRA LIVRE E A FORMAÇÃO DA CIDADE
A própria denominação do município carrega essa relação com o comércio. Em 18 de setembro de 1833, Feira de Santana se emancipou politicamente da Vila de Cachoeira e passou a ser denominada Vila da Feira de Santana, em referência à tradição da feira que já fazia parte da dinâmica local.
Para Cal Lima, a feira livre representava muito mais do que um espaço de compra e venda. Era um ponto de encontro entre pessoas, culturas e mercadorias e teve papel importante na consolidação da identidade econômica do município.
Outro elemento fundamental foi a comercialização de gado. Feira de Santana chegou a ser reconhecida pela dimensão de sua feira de gado, atividade que impulsionou o desenvolvimento econômico e ajudou a projetar o município para além da região.
“A feira livre é esse ponto de encontro. Além da nomenclatura, ela vai potencializar todas as características do município e da cidade de Feira de Santana”, explicou o historiador.
VISITANTES ILUSTRES
A importância da feira também ajudou a atrair visitantes de destaque ao longo da história. Entre eles está o imperador Dom Pedro II, que esteve em Feira de Santana em 1859.
Segundo Cal Lima, Dom Pedro II permaneceu três dias na cidade e tinha interesse em conhecer a feira livre e, especialmente, a feira de gado. O historiador também relatou episódios relacionados ao contato do imperador com vaqueiros durante a passagem pelo município.
Décadas depois, outros nomes conhecidos da cultura e da intelectualidade também passaram por Feira de Santana. Entre eles estão Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Fernand Braudel e Assis Chateaubriand.
Na avaliação histórica apresentada por Cal Lima, essas visitas estavam relacionadas, entre outros fatores, ao interesse pela dinâmica comercial e pela dimensão da feira de gado, que já havia alcançado projeção nacional.
UMA CIDADE DE DIVERSIDADE
A feira também contribuiu para transformar Feira de Santana em um espaço de encontro de diferentes pessoas, sotaques, culturas e costumes.
A tradicional feira que durante décadas ocupou a região da Avenida Getúlio Vargas e áreas do entorno foi transferida para o Centro de Abastecimento em 1976. Atualmente, além do Centro de Abastecimento, o município possui feiras distribuídas por diferentes bairros e regiões.
Para o historiador, essa diversidade permanece como uma das marcas da cidade.
“A feira é uma polifonia de pessoas, de cultura e, principalmente, de mercadorias”, afirmou.
DOS CAMINHOS À FEIRA CONTEMPORÂNEA
Quase dois séculos depois da emancipação política, Feira de Santana se transformou em uma cidade com forte presença nos setores de comércio, indústria, serviços e educação. Mesmo com todas essas mudanças, Cal Lima considera que a identidade construída a partir dos caminhos e das atividades comerciais continua presente.
Para ele, a Feira de Santana de 2026 mantém uma continuidade histórica marcada pela passagem, pela diversidade e pelo encontro entre pessoas e culturas.
O historiador também defende que os próprios feirenses conheçam melhor a história do município, especialmente suas origens rurais e comerciais.
“Compreender o que é a identidade de Feira de Santana, compreender as ligações e conexões que Feira de Santana tem com o comércio, com esse lugar como zona de passagem, como boca do sertão”, é fundamental, segundo Cal Lima.
Ao completar 193 anos de emancipação política, Feira de Santana carrega uma história construída a partir dos caminhos que aproximaram pessoas e mercadorias, da feira que deu nome à cidade e de uma vocação comercial que atravessou gerações.
Para Cal Lima, conhecer esse passado também ajuda a compreender os desafios e as transformações do presente. “Conhecer a história faz parte desse avanço”, concluiu o historiador.
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