Feira de Santana | Lagoa Salgada | Moradores pedem prazo e espaço para armazenar materiais durante revitalização da Lagoa Salgada, em Feira de Santana
Trabalhadores que sobrevivem da reciclagem e da produção e reforma de paletes afirmam que foram notificados com apenas três dias para deixar a área e pedem apoio do poder público
Moradores da Lagoa Salgada, em Feira de Santana, pedem mais prazo e apoio do poder público durante as intervenções de revitalização da área. A Prefeitura já iniciou a limpeza do local, na Rua Pilão Arcado, mas trabalhadores que utilizam o espaço para armazenar materiais afirmam que o prazo de três dias dado para a retirada foi insuficiente.
Segundo os moradores, cerca de dez famílias dependem diretamente das atividades realizadas na área, principalmente com compra, reforma e comercialização de paletes e materiais recicláveis. Eles afirmam que não são contra a obra, mas solicitam um espaço provisório onde possam guardar os materiais e continuar trabalhando até que a situação seja resolvida.

Fernando Pureza (Dinho) 📸Onildo Rodrigues Um dos trabalhadores ouvidos pela reportagem, Fernando da Pureza, conhecido como Dinho, conta que trabalha na região há mais de 20 anos e que a atividade com paletes se tornou a principal fonte de renda da família.
“Eles poderiam arrumar uma área para a gente colocar os paletes. Pelo menos dava uma distância para a gente recolocar os paletes no local. A gente não tem de onde tirar nem como movimentar esse material”, relatou.
De acordo com Dinho, o grupo funciona de forma semelhante a uma cooperativa. Ele estima que aproximadamente R$ 200 mil tenham sido investidos pelos trabalhadores na atividade ao longo dos anos.
O trabalhador também reclama da forma como ocorreu a chegada das equipes responsáveis pela intervenção. Segundo ele, houve momentos de tensão durante a ação de limpeza e retirada das estruturas existentes no local.
Reciclagem também é fonte de renda
A moradora Creuza de Jesus da Silva também afirma que depende do material armazenado na área para sobreviver. Ela trabalha com reciclagem e diz ter cerca de dois mil quilos de materiais, principalmente ferro, reunidos no local.
Sem aposentadoria e sem outra fonte de renda, Creuza afirma que precisava de mais tempo para retirar os materiais.
“Eu espero que eles tenham paciência. A gente precisa procurar um local para colocar os materiais. Não tinha como tirar tudo em três dias”, afirmou.
Segundo a moradora, ela tentou encontrar compradores e locais para retirar o material, mas não conseguiu organizar a operação dentro do prazo estabelecido.
Moradora terá casa demolida
Outra situação é a de Jamile, moradora que vive em uma das casas que serão demolidas durante a intervenção. Ela contou que recebeu atendimento da assistência social e que foi informada de que receberá auxílio para não ficar desamparada.
Apesar disso, a preocupação permanece em relação ao trabalho. Jamile também atua com reforma e carregamento de paletes e teme ficar sem renda após a retirada dos materiais e das estruturas.
Para os moradores, a principal reivindicação neste momento não é impedir a revitalização da Lagoa Salgada, mas garantir condições mínimas para que as famílias possam retirar seus pertences, armazenar os materiais em segurança e encontrar uma alternativa para continuar trabalhando.
Eles pedem que o poder público amplie o prazo de retirada e disponibilize um espaço adequado para armazenamento dos paletes e materiais recicláveis, evitando que as famílias fiquem sem sua principal fonte de sustento durante a execução das obras.
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