Restaurante Popular | Atraso salarial | Funcionários do Restaurante Popular paralisam atividades e denunciam atrasos salariais
Trabalhadores afirmam que enfrentam atrasos recorrentes, pendências trabalhistas e falta de diálogo com a empresa responsável; sindicato anuncia mobilização e audiência no Ministério Público
Funcionários do Restaurante Popular de Feira de Santana, localizado no Centro de Abastecimento, paralisaram as atividades nesta semana em protesto contra atrasos no pagamento dos salários e outras pendências trabalhistas.
Segundo os trabalhadores ouvidos pela reportagem, os atrasos são recorrentes e vêm ocorrendo há vários anos. Eles também relatam problemas relacionados ao pagamento do FGTS, férias e adicional de insalubridade, além de situações envolvendo trabalhadores que estariam exercendo suas funções sem carteira assinada.

Funcionários do Restaurante popular 📸Onildo Rodrigues
Um dos funcionários, Carlos Araújo, afirmou que trabalha no Restaurante Popular há seis anos e que, durante esse período, teria enfrentado sucessivos atrasos no pagamento. Segundo ele, a situação tem provocado dificuldades para o pagamento de contas e despesas básicas.
“Todo mês a mesma coisa”, relatou o trabalhador, que também afirmou ter recebido ameaças de desconto ou demissão caso os funcionários deixassem de trabalhar.
Outra funcionária, identificada como Rose, disse que o atraso salarial não é um episódio isolado. De acordo com ela, a empresa costuma estabelecer datas para regularizar os pagamentos, mas nem sempre os prazos são cumpridos.
A trabalhadora afirmou ainda que os funcionários esperam uma posição presencial da empresa.
“Se a empresa é responsável, ela tem que vir aqui dar uma satisfação ao funcionário”, declarou.
Outro funcionário, identificado como Gabriel, também relatou dificuldades financeiras provocadas pelo atraso. Segundo ele, há trabalhadores que precisam do salário para pagar aluguel, cartões e despesas familiares.
Trabalhador relata falta de registro
Entre os relatos apresentados à reportagem está o de Pedro Henrique. Ele afirmou que começou a trabalhar no Restaurante Popular no dia 6 de fevereiro e que, até o momento da entrevista, estaria sem carteira assinada.
Segundo o trabalhador, a justificativa apresentada seria a situação da empresa responsável pelo serviço, que teria perdido a licitação. Ele afirmou, no entanto, que continua trabalhando enquanto aguarda uma definição sobre sua situação e seus direitos trabalhistas.
O trabalhador também relatou preocupação com despesas como aluguel, alimentação e outras obrigações financeiras.
Sindicato acompanha situação
O Sindicato dos Trabalhadores também esteve no local para acompanhar a mobilização.
Segundo Ednaldo Garcia, secretário de mobilização da entidade, os problemas enfrentados pelos funcionários não são recentes. Ele afirmou que existem relatos de atrasos em salários, férias e 13º salário e mencionou casos de trabalhadores que estariam há anos sem usufruir férias.
O representante sindical disse ainda que o sindicato tentou estabelecer diálogo com o responsável pela empresa, mas não conseguiu que ele comparecesse ao local para conversar com os funcionários.
De acordo com Ednaldo, já existe uma audiência marcada para o dia 17 de setembro, no Ministério Público, para discutir a situação envolvendo os trabalhadores e a empresa.
Possibilidade de greve
A paralisação realizada pelos funcionários é apresentada pelo sindicato como uma mobilização de advertência. Segundo Ednaldo Garcia, os serviços chegaram a ser realizados normalmente, mas os trabalhadores sinalizam que poderão ampliar o movimento caso os salários não sejam regularizados.
O sindicato informou que poderá publicar um edital de greve para garantir a legalidade do movimento e buscar uma solução para as reivindicações.
Os trabalhadores afirmam que aguardam o pagamento dos salários e uma posição concreta da empresa responsável pelo Restaurante Popular.
A reportagem também busca o posicionamento da empresa responsável pelo serviço e da Prefeitura de Feira de Santana sobre os atrasos salariais, as demais denúncias apresentadas pelos trabalhadores e as medidas adotadas para garantir a continuidade do atendimento à população.
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