Inteligência Artificial | Saúde | Feira de Santana inicia uso de inteligência artificial para apoiar atendimentos na atenção básica
Projeto Cuidado em Dia utiliza IA para auxiliar médicos e enfermeiros na análise de casos clínicos, indicação de exames e encaminhamentos, com decisões mantidas sob responsabilidade dos profissionais
A rede municipal de saúde de Feira de Santana começa a utilizar inteligência artificial como ferramenta de apoio aos profissionais da atenção básica. O projeto Cuidado em Dia foi apresentado nesta quarta-feira e pretende auxiliar médicos e enfermeiros durante os atendimentos, principalmente na análise de casos clínicos, identificação de possíveis condutas e encaminhamentos.
A proposta é que a tecnologia funcione como uma espécie de assistente para o profissional de saúde. A decisão sobre diagnóstico, exames e tratamento, no entanto, continua sendo exclusivamente do médico ou enfermeiro responsável pelo atendimento.

Sec de saúde, Rodrigo Matos 📸Onildo Rodrigues
Segundo o secretário municipal de Saúde, Rodrigo Matos, a iniciativa busca aproveitar os avanços tecnológicos para melhorar a assistência oferecida nas unidades básicas.
“A inteligência artificial chega para apoiar essa tomada de decisão. A tomada de decisão é sempre humana, é sempre do profissional de saúde”, explicou o secretário.
Na prática, a ferramenta permite que o profissional insira informações relacionadas ao caso clínico do paciente. A inteligência artificial então cruza esses dados com informações científicas e diretrizes médicas para auxiliar o raciocínio clínico.
Um dos exemplos apresentados durante o lançamento foi o de um paciente diabético que também apresentava alterações relacionadas à função renal. A ferramenta pode ajudar o profissional a identificar a necessidade de uma investigação mais específica ou de um encaminhamento para um especialista, como um nefrologista.

Médico, Keillo Sampaio 📸Onildo Rodrigues
Para o médico Keillo Sampaio, que participou do treinamento para utilização da plataforma, a tecnologia pode contribuir para tornar o atendimento mais completo e organizado.
“Não é a inteligência artificial que vai atender. É o médico que vai tomar a decisão. Ela apenas vai auxiliar para que não fique nenhuma margem de erro ou algum exame que venha a ser solicitado”, destacou.

Responsável técnica, Clara Carvalho 📸Onildo Rodrigues
A responsável técnica pelo projeto, a médica Clara Carvalho, explica que a plataforma foi desenvolvida justamente para reduzir a carga cognitiva dos profissionais e ampliar o acesso às informações baseadas em evidências científicas.
Segundo ela, a ferramenta utiliza referências de diretrizes e artigos científicos e passa por atualizações constantes, acompanhando mudanças na medicina.
Outro ponto destacado é a proteção das informações dos pacientes. De acordo com Clara Carvalho, a plataforma foi estruturada com mecanismos de segurança baseados na Lei Geral de Proteção de Dados, a LGPD, para preservar as informações utilizadas durante os atendimentos.
Além de auxiliar no raciocínio clínico, a expectativa é que a tecnologia reduza parte da burocracia enfrentada pelos profissionais. Com processos mais organizados, médicos e enfermeiros podem ganhar tempo para se dedicar à relação direta com o paciente.
A responsável técnica avalia que, em vez de afastar o profissional do paciente, a inteligência artificial pode justamente ampliar esse contato.
A implantação começa pelas chamadas Equipes de Atenção Primária, as EAPs, em unidades como Cássia, Mangabeira e Dispensário Santana. A previsão é que, depois da avaliação dos primeiros resultados, o projeto seja ampliado gradualmente para outras unidades da rede, inclusive nos distritos.
O secretário Rodrigo Matos afirma que ainda não é possível estabelecer um prazo para que a tecnologia esteja disponível em toda a rede municipal. Segundo ele, a expansão dependerá da avaliação dos resultados e dos desafios encontrados durante a implantação inicial.
A expectativa da Secretaria Municipal de Saúde é que o uso da inteligência artificial contribua para tornar os atendimentos mais assertivos, reduzir encaminhamentos considerados desnecessários e melhorar a organização das informações clínicas.
A iniciativa coloca Feira de Santana entre os municípios que começam a experimentar novas possibilidades de uso da inteligência artificial na saúde pública, mas mantém um princípio fundamental: a tecnologia pode auxiliar o profissional, mas não substitui a avaliação humana.
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