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Crimes cibernéticos: advogado alerta para golpes, exposição de imagens e violência nas redes sociais

Uso indevido da imagem, fraudes eletrônicas, cyberbullying e divulgação de conteúdo íntimo podem gerar responsabilização criminal e civil

Crimes cibernéticos: advogado alerta para golpes, exposição de imagens e violência nas redes sociais
📸Onildo Rodrigues

Os crimes praticados no ambiente virtual estão cada vez mais presentes no cotidiano dos brasileiros. Fraudes eletrônicas, invasões de dispositivos, uso indevido de imagens, divulgação de conteúdo íntimo, cyberbullying e crimes contra a honra estão entre as situações que podem gerar consequências jurídicas para os responsáveis.

Em entrevista ao Jornal Trans Brasil, o advogado Danilo Silva explicou que a legislação brasileira já prevê diferentes tipos de crimes relacionados ao ambiente digital e também permite a responsabilização de pessoas que utilizam a internet para praticar condutas criminosas que já existiam fora do meio virtual.

Entre os exemplos estão calúnia, difamação, injúria e estelionato, que passaram a ser praticados com frequência por meio de redes sociais, aplicativos de mensagens e outras plataformas digitais.

Segundo o advogado, a internet não é um espaço sem regras e a liberdade de expressão possui limites. Ofensas, acusações falsas e ataques à honra podem resultar tanto em responsabilização criminal quanto em ações na esfera civil, inclusive com possibilidade de indenização por danos morais e materiais.

Deepfake e uso indevido da imagem

Um dos problemas que mais preocupam atualmente é a utilização de inteligência artificial para produzir conteúdos falsos, conhecidos como deepfakes.

De acordo com Danilo Silva, criminosos podem utilizar imagens e até a voz de outras pessoas para criar conteúdos fraudulentos. Um exemplo citado pelo advogado envolve criminosos que utilizam a imagem ou a voz de profissionais, como advogados, para entrar em contato com clientes e aplicar golpes relacionados a supostos recebimentos de valores.

Dependendo da conduta e das circunstâncias, a utilização fraudulenta da imagem e da voz de uma pessoa pode gerar consequências criminais e civis.

O advogado também alerta que informações falsas divulgadas na internet podem causar prejuízos profissionais e pessoais às vítimas.

Divulgação de imagens íntimas

A divulgação não autorizada de imagens ou vídeos íntimos também pode configurar crime.

O Código Penal brasileiro prevê punição para quem divulga, sem consentimento da vítima, cenas de sexo, nudez ou pornografia. A situação pode ser ainda mais grave quando envolve crianças e adolescentes.

Danilo Silva ressalta que os crimes de natureza sexual também podem ocorrer no ambiente virtual. A ausência de contato físico não significa que determinada conduta deixe de ter relevância criminal.

Em situações de abuso ou violência virtual, a orientação é preservar as provas e procurar imediatamente os órgãos competentes.

Celular pode ser importante para produzir provas

Embora os celulares e as redes sociais sejam utilizados para a prática de crimes, eles também podem ajudar na investigação.

Capturas de tela, vídeos, mensagens, áudios, links, perfis e outros registros podem ser fundamentais para demonstrar o que aconteceu.

Por isso, diante de uma situação de violência ou abuso virtual, a recomendação é não apagar as conversas ou arquivos relacionados ao caso e preservar as informações disponíveis para eventual investigação.

A vítima também deve buscar orientação das autoridades competentes e, conforme o caso, de um profissional especializado.

Cyberbullying preocupa famílias

Outro problema destacado pelo advogado é o cyberbullying, especialmente entre crianças e adolescentes.

As agressões virtuais podem acontecer longe dos olhos dos pais e responsáveis, muitas vezes dentro do próprio ambiente doméstico. Por isso, Danilo Silva chama atenção para a necessidade de os responsáveis acompanharem a rotina digital dos filhos.

O advogado também destacou que adolescentes podem estar envolvidos tanto como vítimas quanto como autores de crimes praticados pela internet.

Crimes contra grupos e discurso de ódio

A utilização das redes sociais para atacar grupos de pessoas também pode gerar consequências jurídicas.

O advogado chamou atenção para manifestações de xenofobia e outros ataques direcionados a grupos em razão de sua origem ou identidade regional. Segundo ele, diante de situações dessa natureza, as vítimas não devem permanecer em silêncio e podem procurar os órgãos responsáveis pela investigação e proteção de direitos.

Internet não é terra sem lei

Para Danilo Silva, o crescimento dos crimes virtuais reforça a necessidade de conscientização da população.

A legislação brasileira vem sendo atualizada para acompanhar novas formas de criminalidade digital, mas a prevenção também depende do comportamento dos usuários.

Antes de publicar, compartilhar ou encaminhar determinado conteúdo, a orientação é avaliar se aquela conduta pode violar o direito de outra pessoa ou configurar crime.

Em caso de violência, golpe, ameaça, exposição indevida ou abuso na internet, a recomendação é preservar as provas, evitar apagar mensagens e procurar os órgãos competentes para registrar a ocorrência e buscar orientação sobre as medidas legais cabíveis.

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