Segurança pública | Guarda Municipal | Feira de Santana avança na reestruturação da Guarda Municipal e amplia participação comunitária na segurança
Segundo Luziel Andrade, município busca reorganizar legislação da Guarda, ampliar efetivo e criar diagnóstico mais preciso da violência nos bairros
A segurança pública em Feira de Santana passa por uma etapa de reestruturação, com ações voltadas à Guarda Municipal, ao planejamento estratégico e à participação da comunidade. Em entrevista ao Jornal Trans Brasil, Luziel Andrade, da Secretaria de Prevenção à Violência (Seprev), destacou iniciativas que buscam fortalecer a atuação preventiva e melhorar o diagnóstico da violência no município.
Entre os pontos citados está a contratação de uma empresa para realizar um estudo de reestruturação da Guarda Municipal. O trabalho envolve a análise da legislação da corporação e a identificação dos entraves que, ao longo dos anos, dificultaram o cumprimento de medidas previstas para a categoria.
Segundo Luziel Andrade, a proposta é encontrar caminhos para reorganizar a Guarda, corrigir problemas existentes e estabelecer um planejamento que também contemple as novas turmas e o futuro da corporação.
O secretário reconhece que o crescimento de Feira de Santana aumentou os desafios para a segurança. Além da região central, a cidade possui bairros cada vez mais populosos e uma extensa área territorial, incluindo distritos e localidades mais afastadas.
Um dos exemplos citados durante a entrevista foi o vandalismo praticado contra estruturas públicas, como os postos do sistema BRT. Mesmo com rondas e presença da Guarda Municipal, episódios de depredação ainda são registrados.
Para Luziel, a prevenção precisa ir além da resposta ao problema depois que ele acontece. A identificação das causas e a criação de estratégias específicas para cada localidade são fundamentais para reduzir ocorrências.
Plano Municipal de Segurança
Feira de Santana também conta com um Plano Municipal de Segurança, elaborado para orientar as políticas públicas do setor. Dentro dessa estrutura, estão os Conselhos Comunitários de Segurança Pública, Defesa Social e Defesa Civil.
A proposta é aproximar a população das discussões sobre segurança e melhorar a qualidade das informações utilizadas para identificar os pontos mais vulneráveis da cidade.
Luziel Andrade explica que os registros oficiais de ocorrências não necessariamente representam toda a realidade da violência. Muitas vítimas não procuram uma delegacia ou uma unidade policial para registrar determinados crimes.
Nesse contexto, os conselhos comunitários poderão funcionar como canais de aproximação entre a população e o poder público.
A intenção é fortalecer também o Observatório da Violência, permitindo a construção de um diagnóstico mais próximo da realidade de cada bairro.
Segundo o secretário, conhecer as características específicas de cada localidade pode ajudar o município a identificar problemas que vão além da atuação policial, como deficiência de iluminação pública, dificuldades de transporte e falta ou insuficiência de serviços públicos.
A proposta, portanto, é utilizar as informações coletadas nas comunidades para orientar ações preventivas e políticas públicas de acordo com as necessidades de cada região.
Integração entre as forças de segurança
Outro ponto destacado na entrevista foi a integração entre os diferentes órgãos responsáveis pela segurança.
De acordo com Luziel Andrade, Feira de Santana tem avançado na atuação conjunta entre Guarda Municipal, Polícia Militar, Polícia Civil e Ministério Público, especialmente em operações e eventos realizados no município.
Para ele, o trabalho integrado permite que cada instituição contribua dentro de sua área de atuação, com compartilhamento de informações e planejamento conjunto.
A integração também é considerada importante durante grandes eventos realizados na cidade, quando diferentes forças de segurança atuam de maneira coordenada.
Guarda Municipal precisa de mais efetivo
O secretário também reconheceu que o atual efetivo da Guarda Municipal ainda não é suficiente para atender todas as necessidades de uma cidade com mais de 600 mil habitantes e população flutuante.
Segundo ele, o município vem convocando novos guardas, mas ainda é necessário realizar um planejamento para definir o quantitativo adequado para a corporação.
A proposta de reestruturação deverá apresentar um diagnóstico da situação atual e indicar as necessidades para os próximos anos.
Luziel ressalta, porém, que a ampliação do efetivo precisa ocorrer de maneira planejada e dentro das possibilidades da administração municipal.
Para o secretário, a Guarda Municipal representa um patrimônio de Feira de Santana e tem papel importante na prevenção da violência e na proteção dos espaços e serviços públicos.
Prevenção como prioridade
Ao avaliar os desafios da segurança, Luziel Andrade defende que o poder público não espere o problema acontecer para agir.
Segundo ele, muitas ações preventivas não são percebidas pela população justamente porque seu resultado é evitar que determinados acontecimentos ocorram.
A estratégia defendida pela Seprev envolve prevenção, planejamento, integração entre os órgãos públicos e participação da população.
A expectativa é que a reestruturação da Guarda Municipal, o funcionamento dos conselhos comunitários e a produção de dados mais precisos sobre a violência contribuam para orientar novas ações de segurança em Feira de Santana.
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