Cultura | Diversidade | “Feira é o mundo”: padre queniano destaca diversidade cultural do Flifs 2026
Vigário da primeira paróquia quilombola do Brasil, Padre Ibrahim Muinde Musyoka compara a diversidade de Feira de Santana com a riqueza cultural de diferentes povos e destaca o festival como espaço de encontro e troca de saberes
O tema do Flifs 2026, “Feira é o mundo”, ganhou um significado ainda mais especial na fala do Padre Ibrahim Muinde Musyoka, vigário da Paróquia São Roque dos Pretos, localizada no distrito da Matinha, em Feira de Santana. Natural do Quênia, o religioso participou do Festival Literário e Cultural de Feira de Santana e destacou a importância do evento como um espaço de encontro, acolhimento e valorização da diversidade.
Para o padre, o festival reúne artistas, estudantes, famílias e visitantes de diferentes lugares, fortalecendo não apenas a literatura, mas toda a riqueza cultural presente em Feira de Santana e na região.
“É um espaço que acolhe a todos e a todas, especialmente os artistas, os alunos e as famílias. É um lugar para trazer a sua riqueza, mas também para aprender com esse espaço. Estamos encontrando várias pessoas que vêm de vários lugares. É um ambiente preparado para Feira de Santana e para toda a região”, afirmou.
O religioso destacou que o Flifs contribui para fortalecer a cultura da leitura e, ao mesmo tempo, abre espaço para manifestações culturais que representam a identidade do sertão e da região.
Feira como ponto de encontro do mundo
Ao comentar o tema desta edição, Padre Ibrahim fez uma comparação entre Feira de Santana e outras experiências culturais que conheceu ao longo da vida.
“Quando ouvi que ‘Feira é o mundo’, lembrei também daquela expressão de que a Bahia é o mundo. Feira é o mundo pela produção do conhecimento, mas também porque está aberta para essa riqueza das pessoas que vêm de outras regiões do Brasil e de outras partes do mundo”, destacou.
Segundo o religioso, Feira de Santana tem uma característica especial por sua posição estratégica como cidade de encontros e entroncamento entre diferentes regiões.
Para ele, essa condição contribui para que a cidade se torne um ponto importante não apenas para a circulação de pessoas e mercadorias, mas também para a troca de experiências, conhecimentos e culturas.
“O que eu trouxe do Quênia, o que Feira de Santana tem e o que a Matinha tem, quando tudo isso é colocado junto, realmente é o mundo. Cada lugar traz a sua riqueza e a sua colaboração dentro dessa cultura tão rica”, afirmou.
Diversidade que enriquece
O Padre Ibrahim também ressaltou que falar de cultura é, necessariamente, falar de diversidade. Para ele, o Flifs representa justamente um espaço onde diferentes identidades e manifestações podem coexistir e se fortalecer mutuamente.
“Todos são acolhidos, todos estão em casa e todos podem oferecer aquilo que têm. É importante participar para percebermos que não existe uma cultura única no mundo. Cada pessoa, com a sua cultura, consegue enriquecer o espaço, o lugar e o dia do outro”, declarou.
Durante o festival, o religioso acompanhou apresentações culturais de estudantes e destacou a diversidade da programação, que reúne artistas e diferentes manifestações ao longo da semana.
A presença de um padre nascido no Quênia e atualmente atuando em uma comunidade quilombola de Feira de Santana também simboliza, na prática, a proposta do tema do Flifs 2026. Entre diferentes povos, origens, histórias e experiências, o festival transforma Feira de Santana em um espaço de encontro onde a cultura local dialoga com o Brasil e com o mundo.
Comentários (0)