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Dia do feirantes | Marechal Deodoro | Dia do Feirante: trabalhadores da Marechal Deodoro celebram, mas cobram banheiros e melhorias na estrutura

Em Feira de Santana, café da manhã marcou a comemoração desta terca-feira, 25 de agosto; feirantes defendem mais organização, barracas padronizadas e dignidade para trabalhar

Dia do feirantes | Marechal Deodoro | Dia do Feirante: trabalhadores da Marechal Deodoro celebram, mas cobram banheiros e melhorias na estrutura
📸Onildo Rodrigues

O Dia do Feirante, celebrado nesta terça-feira, 25 de agosto, foi marcado por um café da manhã e momentos de confraternização na Feira Livre da Marechal Deodoro, em Feira de Santana. Além da comemoração, a data também serviu para reforçar as reivindicações dos trabalhadores, que cobram melhorias na estrutura do espaço, especialmente a instalação de banheiros e a implantação de barracas padronizadas.

Edineide Ribeiro 📸Onildo Rodrigues 

Presidente da Associação dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Feira Livre da Marechal Deodoro, Edineide Ribeiro destacou a importância da organização da categoria e afirmou que o evento é realizado há cinco anos.

Segundo ela, o Dia do Feirante também é um momento de reflexão sobre os desafios enfrentados pelos trabalhadores e a necessidade de união para defender os direitos da categoria.

“É uma data muito importante para a gente, que é feirante, porque o que percebemos não só em Feira de Santana, mas também fora dela, é que somos uma categoria excluída. Por isso, vejo a importância de a gente se conscientizar, se organizar e promover esse tipo de evento. Temos associação e realizamos esse café da manhã há cinco anos”, afirmou.

Edineide lembrou que os trabalhadores da Feira da Marechal Deodoro lutam desde 2020 pela permanência no local. Segundo ela, a continuidade da feira foi conquistada, mas agora a principal reivindicação é pela organização e melhoria das condições de trabalho.

“A gente conquistou a permanência da feira e agora está em busca da organização desse espaço. Queremos barracas padronizadas, banheiros e dignidade para trabalhar. É isso que a gente espera”, disse.

A presidente da associação apontou a ausência de banheiros como uma das maiores dificuldades enfrentadas atualmente pelos feirantes. De acordo com ela, cerca de 80% dos trabalhadores da feira são mulheres.

“A maior dificuldade hoje é não ter banheiro. A gente precisa pedir a um lojista, pedir a outro. Um dia a porta está aberta e no outro dia está fechada. Precisamos urgentemente de banheiros. É uma necessidade básica, principalmente para as mulheres”, ressaltou.

Edineide também cobrou o andamento do projeto de implantação das barracas padronizadas. Segundo ela, o modelo já foi discutido com representantes da administração municipal, mas os feirantes ainda aguardam a execução.

Apesar das dificuldades, ela afirmou que a data merece ser celebrada.

“A gente é resistência. Passa um perrengue danado, mas vale a pena”, resumiu.

Quase cinco décadas de trabalho na feira

Elizete Santos Ribeiro 📸Onildo Rodrigues 

Para a feirante Elizete dos Santos Ribeiro, que trabalha há 48 anos na Feira da Marechal Deodoro, o sentimento no Dia do Feirante é de gratidão. Ela contou que sua história com o local atravessa gerações.

Segundo Elizete, sua avó e sua mãe também trabalharam na feira. Ela começou ainda jovem, construiu sua vida por meio da atividade e conseguiu criar o filho com o trabalho realizado no local.

“É um sentimento de gratidão, porque a gente passou por muita luta aqui na Marechal. Hoje a gente comemora porque a feira é patrimônio cultural. É uma feira muito antiga, que acolhe muitas pessoas. Eu criei meu filho trabalhando aqui. Isso vem de geração em geração, da minha avó, da minha mãe e hoje sou eu”, contou.

Mesmo depois de quase cinco décadas de atividade, Elizete afirma que ainda há poucas melhorias voltadas para as condições de trabalho dos feirantes.

“Para a melhoria do feirante, não teve avanço nenhum por parte dos órgãos públicos. Hoje esperamos barracas padronizadas e banheiros. Dependemos de ir a outros locais e até pagar para usar banheiro ou esperar que algum lojista ceda”, afirmou.

Ela destacou ainda que os trabalhadores querem uma feira mais organizada e estruturada, tanto para quem trabalha quanto para os clientes e turistas que visitam o local.

“A gente quer uma feira organizada, limpa, para receber as pessoas que vêm comprar e também os turistas. A Feira da Marechal é muito conhecida e recebe muita gente”, declarou.

A feirante, que comercializa frutas, explicou que o trabalho também depende da sazonalidade dos produtos. Em determinados períodos do ano, algumas frutas muito procuradas pelos clientes não estão disponíveis para venda, o que pode impactar o faturamento.

“É um comércio de altos e baixos. Tem frutas que são muito procuradas, mas não estão disponíveis em determinada época. Aí precisamos colocar outros produtos na banca. Mas sempre aparece outro cliente e o comércio vai se mantendo”, explicou.

Clientes destacam variedade e preço

Priscila Soares 📸Onildo Rodrigues 

Entre os consumidores que aproveitaram a manhã para fazer compras estava Priscila Soares. Cliente da Feira da Marechal Deodoro, ela apontou a variedade dos produtos e os preços como os principais motivos para continuar frequentando o local.

“Eu já conheço o local. Tem variedade e o preço também é melhor”, afirmou.

Priscila costuma comprar principalmente frutas e verduras, mas acredita que a estrutura da feira ainda precisa passar por melhorias.

“Precisa de mais organização, estrutura e condições mais higiênicas, tanto para os clientes quanto para os feirantes”, avaliou.

O Dia do Feirante na Feira da Marechal Deodoro, portanto, foi marcado pela confraternização e pela celebração de uma atividade que movimenta a economia e faz parte da história de Feira de Santana. Mas também deixou evidente que, para os trabalhadores, a homenagem precisa vir acompanhada de melhorias concretas e de condições mais dignas para quem, todos os dias, garante o sustento da família por meio do comércio popular.

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